quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Bolsonaro ignora Mourão e Lula procura por vice para 'dormir tranquilo'

A relação azeda entre Bolsonaro e Hamilton Mourão coloca a vaga de vice-presidente à disposição na tentativa de reeleição em 2022.
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Bolsonaro
Mourão será candidato ao Senado pelo Rio Grande Sul. Ele ainda definirá a sigla pela qual irá disputar. (Foto: AFP EVARISTO SA)

Na corrida pela disputa da Presidência da República em 2022, uma coisa é certa: dois nomes estão no páreo. Lula e Bolsonaro devem disputam a preferência dos eleitores. Um é ex-presidente e não faz críticas ao voto eletrônico. O outro, apesar de ter sido eleito pelo sistema eleitoral das urnas eletrônicas, diz que é hora de ter eleição disputada com voto impresso. Nesse pinga e não molha, quem se arrisca a ser vice desses candidatos?

É uma boa pergunta para os próprios candidatos responderem, porém, a essa altura do campeonato, os dois decidiram entrar em campo, em ritmo de pré-campanha, desarmados. O atual presidente, este mês, precisou de cuidados médicos em um hospital de Brasília. De lá, ele foi transferido em uma aeronave para São Paulo, onde ficou internado para conter uma crise de soluços, que ele fez e faz questão de atribuir à facada sofrida em 2018 durante a campanha presidencial.

Bolsonaro não larga a faixa

Nesse período em que esteve sob os cuidados médicos, esperava-se que Bolsonaro se afastasse das funções atribuídas a ele na Presidência, porém isso não ocorreu. Primeiro, porque ele não abriu mão de seus afazeres. Segundo, porque seu vice, General Hamilton Mourão, estava de viagem marcada para Angola, onde cumpriria agenda como vice-presidente.

E terceiro, porque Arthur Lira (PP-AL) se enquadra em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que é contrária a que réus em ações penais assumam a Presidência, como é o caso de Lira. Restou apenas Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, mas desse passou longe a faixa. Isso porque Bolsonaro logo voltou à ativa e passou a analisar e despachar documentos, mesmo estando em uma cama de hospital.

Relação azeda

A crise no Governo Bolsonaro abalou até a relação com o vice Mourão. Não é de hoje que o general se posiciona contrário ao capitão e destaca que algumas ações do presidente são influenciadas pelos filhos. Um deles, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, chegou até a ser apelidado de “Eduardo Bananinha” pelo vice-presidente, o que não agradou muito Bolsonaro.

Esta semana, Bolsonaro chegou a comparar Mourão a um cunhado. “Vice é igual cunhado, você casa e tem que aturar o cunhado”. O presidente acrescentou, ainda, que Mourão é um vice muito independente e isso “atrapalha um pouco, mas tem que aturar”.

Mourão, no entanto, preferiu não comentar as declarações de Bolsonaro.

Procura-se um vice

Aproveitando-se da situação, o ex-presidente Lula tem cada vez mais usado as redes sociais e aproveitado as oportunidades em entrevistas à imprensa para falar sobre o seu futuro parceiro de chapa.

Para o petista, um candidato a vice precisa ser parceiro e de confiança.

“Se eu for candidato, quero um vice que dê complementaridade nas funções do governo. Quero um vice atuante. E que seja uma pessoa que eu gosto, que eu vá dormir tranquilo. Sabendo que ele também vai cuidar do País”, disparou Lula em seu Twitter nesta terça-feira (27).

De onde sairá o vice de Lula?

Dentro do PT, atualmente, o principal nome da sigla, além de Lula, é o de Fernando Haddad, que concorreu como candidato à Presidência em 2018, após o STF, à época, julgar Lula como inelegível.

No entanto, o PT pode não firmar uma chapa puro-sangue. Uma prova disso são as constantes reuniões do ex-presidente com lideranças políticas de outros partidos, incluindo os de centro e de direita, como é o carro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que chegou a derrotar Lula por duas vezes na década de 90, quando o petista tentou a chegar à Presidência, antes de ser eleito em 2002.

Em entrevistas à imprensa, Lula disse que quer encontrar alguém para vice como José Alencar, que foi seu vice durante os dois mandatos do petista como presidente do Brasil, nas Eleições de 2002 e 2006. José morreu em março de 2011 vítima de um câncer.

Mas, pode sair de São Paulo o nome para vice de Lula. Quem anda rondando o petista é o ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que não faz segredo a correligionários sobre o seu sonho de ser vice de Lula em uma possível chapa entre PT e PSB na próxima Eleição.

Texto: Isac Sharlon

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