A prometida comprovação de fraude nas urnas eletrônicas durante o processo eleitoral que seria apresentada na noite desta quinta-feira (30) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em transmissão ao vivo nas redes sociais, não surpreendeu a bancada amazonense que atua no Congresso Nacional.
Em contrapartida, Bolsonaro também não conseguiu o que pretendia, que era deixar o sistema eletrônico adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a votação sob suspeita dos brasileiros.
Membro da Comissão Especial que avalia o voto impresso na Câmara, o deputado Bosco Saraiva (Solidariedade), que já havia se posicionado de maneira contrária à proposta, disse que as “provas” do presidente não trouxeram nenhuma novidade e que não há base para ele colocar em xeque a segurança das urnas eletrônicas.
“Não constou nenhum fato novo. E a argumentação apresentada tratou de ‘possíveis indícios’, algo muito distante do necessário para desconfiar da segurança do atual sistema eleitoral”, ressaltou o deputado.
‘Montanha pariu um rato’
O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL), usou uma expressão em latim para demonstrar que a expectativa criada pelo presidente foi frustrada ao não apresentar nenhuma prova de fraudes nas urnas e considerou que a transmissão serviu apenas para “animar sua plateia”.
O senador Plínio Valério (PSDB), que já defendia o voto impresso antes, não mudou de opinião e disse que, independente da fala do presidente, é favorável à impressão do comprovante da urna eletrônica com o nome do candidato para que o eleitor verifique a computação do seu voto.
“Eu conheço alguns argumentos utilizados. Eu sou defensor do voto eletrônico com comprovante impresso para você visualizar, não tocar e nem levar pra casa, independente do que o presidente possa dizer ou argumentar, eu tenho uma opinião formada a respeito disso. Eu concordo sim que o eleitor tem o direito de comprovar o seu voto”, disse Plínio.
Ataques são ‘medo do Lula’
Já o deputado Zé Ricardo (PT) atribuiu, em suas redes sociais, os ataques de Bolsonaro ao sistema democrático ao medo de enfrentar o ex-presidente Lula (PT) nas urnas, pois o rival lidera todas as pesquisas de intenção de voto.
Na avaliação de Zé Ricardo, a experiência brasileira com o voto eletrônico até agora não mostrou problemas e não há nenhum indício ou denúncia efetiva de fraude, portanto o voto impresso com a impressão do comprovante nominal poderia ser uma quebra da Constituição Federal que prevê o voto secreto.
Texto: Giovanna Marinho
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