O presidente da República Jair Bolsonaro (PL) e o Brasil foram motivo de destaque em vários relatórios internacionais sobre liberdade de imprensa no mundo em 2021, na maioria das vezes entre os líderes e países que mais desrespeitaram o jornalismo independente ou colocaram profissionais do setor sob risco. As informações são do MediaTalks.
Algumas organizações classificaram como ‘Sistema Bolsonaro’ o comportamento de perseguir e insuflar seguidores contra jornalistas. O presidente brasileiro foi o único governante escolhido como tema de uma campanha em 2021, feita pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Ele também apareceu junto com outros líderes globais na lista de 37 predadores da liberdade de imprensa no mundo.
A campanha ‘The Naked Truth’ (A Verdade Nua) foi lançada em fevereiro do ano passado, quando o país vivia o auge da crise da Covid-19, ocupando o terceiro lugar em número de mortes por coronavírus no mundo.
Em março, o Brasil marcava presença em relatório da Repórteres Sem Fronteiras sobre os riscos corridos pelas jornalistas no exercício da profissão. Jair Bolsonaro foi citado nominalmente por sua perseguição à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, após denúncias sobre o uso ilegal de fundos privados pelo presidente para financiar campanhas de desinformação.
O documento afirmou que a profissional foi “alvo de uma campanha de assédio cibernético extremamente violenta, chegando a ser acusada por Jair Bolsonaro e seus filhos ocupantes de cargos eletivos de ter “extorquido” informações em troca de favores sexuais”. Patrícia saiu vitoriosa em uma ação que moveu contra Bolsonaro. O governante foi condenado a indenizá-la em R$ 20 mil por danos morais.
Ainda em março, o Departamento de Estado dos EUA publicou o relatório anual sobre os direitos humanos no mundo, que registrou o crescimento das ameaças à liberdade de imprensa no Brasil. Pela primeira vez o relatório atribuiu ao próprio presidente “atos antidemocráticos e ataques à imprensa”.
Em setembro de 2021, o Instituto Reuters para Estudos do Jornalismo da Universidade de Oxford destacou o Brasil em um estudo sobre confiança na imprensa em quatro países (também participaram Estados Unidos, Reino Unido e Índia). Em comum entre as quatro nações foi identificado o perfil dos que não acreditam na imprensa: mais velhos, homens e brancos.
Apenas no Brasil a confiança na imprensa foi maior do que nos governos.
Com informações do Media Talks
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