Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) as legislaturas mudam a cada quatro anos, mas o deputado, Belarmino Lins (PP) segue com sua cadeira garantida no parlamento amazonense há cerca de 30 anos. Belão, como é chamado pelos colegas cumpre atualmente o oitavo mandato consecutivo e parece não querer parar por aí.
O RealTime1 conversou com o deputado sobre a ‘vida longa’ na política, a qual ele chama de “missão”.
”Eu recebo como uma missão e com o cumprimento de muita responsabilidade e respeito para com aqueles que acreditaram, votaram em mim ao longo desses oito mandatos consecutivos”, disse o parlamentar mais longevo da Aleam.
Prestes a completar 76 anos, Belão continua firme em suas viagens ao interior do Estado, porção onde se concentra a maior parte de seu eleitorado.
”Eu sou um parlamentar municipalista, 75% dos meus votos são do interior, as minhas raízes são fonteboenses da cidade do Alto Solimões, por isso há uma identidade minha com as causas interioranas, daqueles que padecem nos rios e lagos do nosso estado”, explicou, negando qualquer rumor de que estaria cansado para mais um mandato a partir de 2023.
”Eu sou um político que trabalha antes, durante e depois da eleição. Eu não meço distância para conquistar a confiança do povo, não demonstro cansaço porque tenho uma saúde boa, daí só quem pode predestinar isso é Deus. À princípio, eu já estou turbinado para as eleições do ano que vem, mas nada impede que eu possa ser representado por uma outra alternativa”, completou.
Decano, sim. Vaidoso, não!
Questionado sobre o porquê de não ter saído do parlamento para disputar outro cargo, Belão afirmou que não pode ter vaidades que ultrapassem os valores morais que defende. O parlamentar disse também que nunca teve ou tem problemas com colegas.
”Eu faço a minha política de boa vizinhança com todos”, completou.
O parlamentar, que iniciou a carreira política em 1990 veio em uma crescente de votos durante seis pleitos, até chegar a ser o deputado estadual mais votado do Amazonas em 2010, com 52.092 votos.
Em 2014, ele caiu para o quinto mais votado ao perder mais de 23 mil votos. No pleito seguinte (2016), recuperou 1.205 votos, mas ainda assim desceu para o sexto lugar. Confira, abaixo, a votação de Belarmino ano a ano:
1990 – 6.594 votos válidos (4,4% dos votos válidos)- 8º mais votado;
1994 – 7.760 votos válidos (1,3% dos votos válidos)- 15º mais votado;
1998 – 12.586 votos válidos (1,4% dos votos válidos)- 10º mais votado;
2002 – 20.899 votos válidos (1,8% dos votos válidos)- 12º mais votado;
2006 – 34.098 votos válidos (2,5% dos votos válidos) – 2º mais votado;
2010 – 52.092 votos válidos (3.4% dos votos válidos) – Mais votado;
2014 – 28.895 votos válidos (1,8% dos votos válidos) – 5º mais votado;
2018 – 30.100 votos válidos (1,7% dos votos válidos) – 6º mais votado
Que rumo os colegas tomaram?
Depois de tanto tempo, muita coisa mudou na política local. Alguns colegas de Belarmino têm uma longevidade parecida e permanecem até hoje como deputados estaduais, como é o caso de Sinésio Campos (PT) e Ricardo Nicolau (Solidariedade), ambos já exercendo o sexto mandato.
Entretanto, durante os quase 32 anos que completará na Assembleia, Belão já viu vários colegas deixarem suas vagas para alçar novos voos.
Alguns se tornaram governadores, como Omar Aziz (entre 2010 e 2014), José Melo (entre 2014 e 2017) e David Almeida (Avante) em 2017. Na prefeitura de Manaus, Serafim Corrêa (PSB) assumiu o comando em 2005 e David Almeida no começo deste ano. Hissa Abrahão (PDT) e Marcos Rotta (sem partido) assumiram o cargo de vice-prefeitos da capital, sendo Rotta o atual ocupante desta vaga.
Sidney Leite (PSD), José Ricardo (PT), Marcelo Ramos (sem partido), Bosco Saraiva (Solidariedade), atuais deputados federais, já tiveram uma cadeira ao lado de Belão na Aleam antes de se mudarem para Brasília.
Muitos nomes como o de Alessandra Campêlo (MDB), Eron Bezerra (PCdoB), Sabá Reis (PL) e Arthur Bisneto (PSDB) transitaram entre a Assembleia Legislativa e secretarias municipais e estaduais depois de dividirem o plenário da Aleam com Belão.
Também ex-colegas do deputado, Bi Garcia (PSDB), Augusto Ferraz (DEM) e Mamoud Amed (Avante) deixaram o parlamento para disputar as eleições para prefeito no interior. Garcia é prefeito de Parintins e Ferraz, prefeito de Iranduba. Mamoud, que já foi prefeito de Itacoatiara por cinco vezes, atualmente sem exercer nenhum cargo político.
Texto: João Luiz Onety
Leia Mais: