A postura, no mínimo incomum dos deputados independentes, tem colaborado para travar projetos de autoria do Governo do Estado e também desautorizar os discursos da oposição na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A mudança de posicionamento ficou evidente desde a oitiva do deputado Fausto Júnior (MDB) à CPI da Covid-19, no Senado.
O próprio Fausto deixou claro, em seu primeiro discurso após retorno de Brasília, a clara desavença com os opositores ao Governo, os deputados Dermilson Chagas e Wilker Barreto, ambos do Podemos.
A mesa diretora também fez pouco caso das falas dos parlamentares nos últimos dias, deixando clara a postura após a derrubada da proposta de uma nova CPI para investigar supostos casos de corrupção na pandemia. Até o tempo a mais concedido para o discursos de ambos têm sido reduzido.
Desde o dia 29 de junho, nenhuma das mensagens enviadas pelo Governo andou nas comissões da Casa. A última matéria proposta pelo Estado que entrou na pauta dos parlamentares tratava sobre o reajuste do auxílio a servidores públicos com aposentadoria incompatível ao trabalho em consequência de doença infectocontagiosas.
Base governista inerte
O Governo sempre foi reconhecido pela forte bancada na Aleam. Porém, desde a licença da líder Joana D’arc (PL) e o afastamento de Alessandra Câmpelo (MDB) para que ela assumisse a Secretaria de Assistência Social (Seas), não há voz enfática no Legislativo em defesa da gestão de Wilson Lima (PSC), nem mesmo o seu vice-líder na Casa, o deputado Saullo Vianna (PTB), que raramente pede a palavra durante as sessões.
Sete mensagens ainda continuam sem respostas dos deputados. Duas delas tem grande relevância para a gestão estadual. A última a ser submetida buscava dar continuidade ao período de calamidade pública no Amazonas. Com isso, seria proibido, por exemplo, que as concessionárias de energia elétrica e água efetuassem cortes no serviço e, a outra, permitira que o Governo Federal direcionasse mais recursos ao Estado.
Em outro projeto, o governador pedia urgência no pedido de autorização de empréstimo de R$ 1,5 bilhão junto ao Banco do Brasil, mas a imediata tramitação na Aleam não ocorreu e a pauta está travada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aguardando parecer desde o dia 29 de janeiro.
Desde a parada na aprovação dos projetos do Executivo, os deputados já realizaram duas Ordens do Dia e, em todas, reprovou ao menos um veto do governador à propostas indicadas pelo Legislativo.
Texto: Giovanna Marinho
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