Três dos dez deputados de primeiro mandato que tomaram posse na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), ouvidos pelo Real Time1 nesta quarta-feira (1°), alegaram que ficaram de fora de articulações para compor a mesa diretora da Casa por falta de experiência e que houve um “consenso” para que não participassem.
A nova mesa diretora foi eleita hoje, tendo Roberto Cidade (UB) na presidência e outros nove parlamentares veteranos, sem nenhum representante dos deputados e deputadas novatas no comando da Casa.
“É coerência. A gente não vai assumir uma responsabilidade grande no primeiro mandato, sendo que tem pessoas mais experientes que a gente. Então, o lugar é dos mais experientes primeiro”, disse o deputado estadual Daniel Almeida (Avante), eleito com mais de 35 mil votos.
O deputado Thiago Abrahim (UB) diz que a ausência de novatos na mesa diretora foi um consenso. “Houve o diálogo com todos nós, conversamos e entendemos que isso seria o melhor para que possamos ter condição tranquila e boa dentro da Casa. Esperamos trabalhar em harmonia em uma legislatura benéfica ao Estado”, enfatizou o deputado eleito com mais de 31 mil votos.
Também do União Brasil, o deputado Mário César Filho – eleito com mais de 22 mil votos – disse que não pleiteou cargo na mesa diretora pois ainda quer se inteirar sobre o funcionamento da Aleam.
“Eu tô chegando com bastante humildade para entender o funcionamento da Casa e como a gente pode ajudar a população amazonense da melhor forma possível”, justificou ele.
Uma única chapa concorreu à eleição para a mesa diretora na Aleam e foi eleita de forma unânime.
Esforço para buscar espaço
O cientista político e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Gilson Gil, avalia que o os parlamentares veteranos mostraram quem está no poder de fato. “Os novos terã de mostrar serviço e buscar espaço. Caso queiram aparecer para a eleição municipal ou se reeleger, terão um esforço dobrado”, afirmou
Gilson Gil analisa, ainda, que os deputados e deputadas de primeiro mandato estão ainda pouco alinhados com o governador Wilson Lima e com as demandas do Executivo e que, para ter mais visibilidade, terão que abrir esse caminho.
A manutenção do arranjo de forças políticas na Assembleia, segundo o cientista político, tem como lado positivo a continuidade, mas pode comprometer avanços. “A Aleam parece não querer ousar, nem para dentro nem na relação com o governador. Há algo ‘bom’, que é a continuidade, por outro lado, mostrou que haverá dificuldades na renovação de nomes e ideias para sua gestão”, disse.
Texto: Isac Sharlon
Leia Mais: