Com posse marcada para o dia 1⁰ de fevereiro na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), parlamentares eleitos pelo União Brasil e o Avante somam a maior bancada na nova composição da Casa. Juntos, somam 10 das 24 cadeiras e fortalecem a base do governador Wilson Lima (UB), que terá, nesta legislatura, arranjo mais favorável do que quando assumiu o primeiro mandato, há quatro anos.
Em 2019, ele não contava com uma base aliada forte como a da nova composição da Aleam. Além dos dez parlamentares do União Brasil e Avante, que formaram a principal aliança pela reeleição de Wilson no último pleito, o governador conta com apoio de outros 12 deputados, totalizando uma base aliada de 22 dos 24 parlamentares, entre eleitos e reeleitos.
Na disputa pela reeleição, além de União Brasil e Avante, Wilson contou com o apoio de outros quatro partidos que conseguiram vagas na Aleam: PSC (3), PL (3), Republicanos (2) e Patriota (1). Eleitos por outros três partidos já declararam apoio independente ao governador: Sinésio Campos (PT), Rozenha (PMB) e Carlinhos Bessa (PV)
Oposição
Apenas dois partidos tiveram candidatos eleitos que não apoiaram o governador. O MDB, com Cristiano Dangelo; e o Cidadania, com Wilker Barreto.
Cristiano apoiou a candidatura de Braga pelo MDB na disputa pelo Governo, enquanto Wilker seguiu com Amazonino, candidato do Cidadania e que buscava comandar o Estado pela quinta vez.
Na análise de especialistas, o deputado Wilker Barreto, que faz oposição ferrenha ao governador, pode adotar uma posição diferente nessa nova legislatura, para não fomentar um movimento isolado. Enquanto Cristiano Dângelo não será promessa de oposição radical, uma vez que o MDB é um partido de Centro que sempre esteve junto aos governos.
Base fortelecida
O movimento político adotado pelo governador Wilson Lima ainda na fase da pré-campanha eleitoral de 2022, ao reunir dez partidos, deu vantagem a ele na disputa pela reeleição em cima de seus adversários conhecidos da política: Amazonino Mendes (Cidadania) e Eduardo Braga (MDB).
O professor de direito e analista político Helso do Carmo Ribeiro lembra que o cenário é bem diferente do início do último mandato na Aleam, em feveireiro de 2019.
“Naquela época, quando teve início a legislatura, nenhum deputado da coligação do governador foi eleito. Hoje, essa quantidade de deputados eleitos vai servir, por um lado, para que o Wilson toque projetos. Mas a situação econômica do Brasil e do Estado pode não ser tão favorável”, prevê o professor.
Helso lembra que, após ser eleito governador pela primeira vez, Wilson demorou para escolher um líder, e que precisou ser trocado em pouco tempo – o que sustenta a análise de que o chefe do Executivo estadual enfrentou dificuldades com o parlamento.
O deputado Carlinhos Bessa (PV) foi o primeiro líder do governo na Aleam, mas ficou apenas 51 dias no cargo até ser destituído por Wilson Lima, que sofria pressão da oposição com uma série de denúncias.
“Wilson vai continuar tendo cobranças da sociedade civil e também da imprensa, e isso vai reverberar com os deputados”, analisa o professor ressaltando que a situação hoje é diferente de quando ele iniciou o primeiro mandato.
Neste novo mandato Wilson também vai contar com apoio fortalecido com a provável reeleição de Roberto Cidade (UB) para presidência da Casa. Do mesmo partido do governador e deputado mais votado na última eleição, com 105 mil votos, Cidade já recebeu manifestações de apoio pela reeleição da maioria dos parlamentares eleitos.
Direita, centrão e esquerda
Quatro partidos mais aliados à direita (UB, PSC, Republicanos e Patriota) terão 12 cadeiras na Aleam.
O chamado centrão estará representado por dez parlamentares dos partidos PL, Avante, MDB, Cidadania e PMB. Já a esquerda reúne apenas dois partidos (PT e PV), somando duas cadeiras.
Helso Ribeiro avalia que há muito tempo o perfil ideológico da Aleam são deputados de Centro, e não vê espaço para extremidades.
“A Aleam deve ter o Cidade reeleito para os próximos dois anos e vai preponderar o perfil moderado. E os deputados, a grande maioria, buscarão apoio ao governador”, avalia Ribeiro.
Texto: Isac Sharlon
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