Reza o dito popular que uma mentira contada mil vezes torna-se verdade. A velha máxima, entretanto, se tornou prática política corrente na Era Bolsonaro.
Tanto assim que no triste episódio da crise de oxigênio pelo qual o Amazonas passa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) preferiu recorrer às redes sociais para contar mentiras sobre o repasse que fez ao Amazonas para o combate à Covid-19 do que apresentar soluções ou condolências às famílias das vítimas da trágica situação.
‘Mil vezes’
Como a tática inclui a reprodução ad infinitum da mentira dita, o presidente conta com sua legião de seguidores – entre ilustres e anônimos – para concluir seu plano.
E no episódio. envolvendo o Amazonas não foi diferente. A mentira do repasse de R$ 8.91 bilhões ao Estado para o combate à Covid-19 foi replicada milhares de vezes por seus seguidores. Veja a verdade sobre os números aqui.
‘Ilustres’
Dentre os apoiadores que ajudaram a mentira de Bolsonaro a se transformar em verdade para boa parcela da população amazonense, destacam-se os famosos, cuja notoriedade concede ares de credibilidade à bravata presidencial.
A apresentadora de TV e atriz Norma Araújo foi um dos principais vetores para a popularização da inverdade nas redes sociais. Um vídeo da “manazinha” viralizou em aplicativos de mensagens reproduzindo o valor bilionário mentiroso postado pelo presidente como se houvesse sido repassado para o combate à Covid.
Da mesma forma, e fazendo jus à fidelidade canina que devota ao presidente, o ex-superintendente da Suframa (que prefere ser lembrado como ex-militar do Exército Brasileiro), Alfredo Menezes (Patriota), também reproduziu a imagem com o valor falacioso postado pelo presidente.
Com o auxílio dos apoiadores ilustres, os anônimos se convencem e completam a tarefa de replicar a informação falsa milhares – quiçá milhões – de vezes. Está completo o ciclo: a mentira passa a ser encarada como a verdade mais verdadeira.
Texto: Omar Gusmão
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