segunda-feira, 28 de setembro de 2026
MEIO AMBIENTE

Plínio e Marina Silva "trocam gentilezas" em CPI das Ongs

Plínio Valério e Marina Silva recorreram até a interpretações bíblicas no embate que tiveram na CPI das Ongs
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Senador Plínio Valério, presidente da CPI das Ongs, discute com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva,

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito das Ongs, senador Plínio Valério (PSDB), travaram, nesta segunda-feira (27), uma intensa “troca de gentilezas” por conta da rodovia BR-319, a Manaus-Porto Velho (RO), e de outros temas ambientais.

O ponto alto do enfrentamento aconteceu ao final do depoimento. Plínio encerrava os trabalhos e lembrou que muito se falou em Bíblia, “mas Cristo cuidava dos pobres“, numa alfinetada em falas de Marina, que é evangélica. Após o encerramento, Marina voltou a tomar o microfone e atacou:

“Obrigado senhor senador, vossa excelência falou que Jesus atendia aos pobres, mas nunca se negou a dar umas boas chibatadas nos hipócritas“, respondeu a ministra olhando para Plínio.

Em outro momento, Plínio foi firme ao dizer que a CPI abriu a “caixa-preta” das Ongs ao que Marina rapidamente respondeu que o termo é pejorativo e ofende a pessoas negras como ela. Ato contínuo, Plínio mudou para dizer que a CPI abriu a “Caixa de Pandora” e vai revelar o que está por trás do Fundo Amazônia, que é financiado com recursos da Noruega e Alemanha.

O diálogo final resume o embate entre os dois e seus grupos ao longo da CPI, com Plínio atacando as Ongs que tentam comandar o discurso ambiental e dizer o que os amazônidas podem ou não fazer e Marina reafirmando que os cuidados com a região são cada dia mais necessários.

Sobre a BR-319, o senador e diversos outros parlamentares atribuíram a Marina a trava que a impede de ter seu trecho central reconstruído e pavimentado, mas a ministra novamente lembrou que estava há 15 anos longo do ministério e a estrada não foi feita por outros.

“O Amazonas teve ministro (dos Transportes -Alfredo Nascimento), tem senadores, deputados e até um vice-presidente (referia-se a Hamilton Mourão, que é descendente de amazonenses), mas a estrada não saiu nestes 15 anos“, disse, indicando o período que ficou longe do ministério e do governo federal.

Em outro momento, a ministra insistiu que a estrada só receberá a licença quando ficar provado a viabilidade social, ambiental e econômica dela e que pelo mesmo processo passou a BR-116 (Cuiabá-Santarém), que recebeu a licença ainda na gestão dela no segundo governo de Lula.

Em outro ponto, Marina lembrou que todo o trecho da BR-319 no Amazonas recebeu, também na gestão dela, a licença ambiental para a reforma e reconstrução, mas os governos não foram capazes de refazer todo esse trecho.

“Então dizer que depois de 15 anos a estrada não foi feita porque eu não dei a licença (não corresponde a verdade”, fechou a ministra.

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