quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Philip Fearnside faz análise dos presidenciáveis e a defesa da Amazônia

Lula dá muito mais espaço ao meio ambiente no seu programa de governo, enquanto Bolsonaro defende políticas que enfraqueceram controle ambiental, avalia pesquisador do Inpa.
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(Foto: Divulgação)

Os dois candidatos que lideram as pesquisas eleitorais para a Presidência da República têm programas e históricos contrastantes com relação ao meio ambiente na Amazônia. A análise é do pesquisador Philip M. Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Bolsonaro (PL) considera preocupações ambientais como impedimentos à exploração (predatória) das riquezas da região amazônica e pretende continuar as suas políticas que enfraqueceram o controle ambiental no atual governo.

Lula (PT) dá muito mais espaço ao meio ambiente no seu programa de governo e destaca a necessidade de reconstruir os órgãos ambientais que têm sido desmontados desde o início do governo Bolsonaro, como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Fundação Nacional do Índio (Funai). Também promete defender terras indígenas e retirar garimpeiros.

De acordo com Philip Fearnside, mesmo com estes sinais positivos, há áreas que precisarão de cuidado em um eventual governo Lula.

O pesquisar expõe que a questão de hidrelétricas na Amazônia tem enormes consequências em potencial, incluindo a remoção das populações nas áreas inundadas e a eliminação dos seus meios de sustento, a devastação da pesca que sustenta as populações ribeirinhos tanto rio abaixo quanto acima das barragens, e a emissão de metano, um poderoso gás de efeito estufa.

Além disso, Philip Fearnside destaca que o histórico dos governos do PT na construção de Santo Antônio, Jirau e Belo Monte é preocupante.

Lula tem falado que faria Belo Monte de novo e que a população local foi beneficiada devido aos gastos do projeto na parte social.

Com relação à rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho), que, junto com estradas laterais planejadas, abriria uma enorme área de floresta amazônica à entrada de desmatadores a partir do “arco do desmatamento”, Lula tem dito que o projeto pode ir para frente desde que haja governança.

Para o pesquisador, “infelizmente, além do custo astronômico de um programa de governança na escala necessária, as chances são mínimas de realmente alcançar essa transformação na vasta área a ser impactada, dentro do prazo de um mandato presidencial”.

Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) têm tomado posições semelhantes a Lula com relação à BR-319.

Portanto, será importante ficar atento a como evoluirão as políticas ambientais durante o próximo governo, independentemente de quem ganhe as eleições, ressalta o pesquisador do Inpa.

Da Redação, com informações da Agência Bori

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