A pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) Flor Spinoza recomentou, em entrevista à TV RealTime1, nesta sexta-feira (11), que a população amazonense não baixe a guarda contra o coronavírus e siga usando máscaras em ambientes abertos apesar da liberação que será promovida pelo Prefeitura de Manaus, a partir da próxima quarta-feira (16), e pelo Governo do Estado, que ainda vai anunciar a data.
Flor Spinoza avalia que os gestores públicos tomam decisões sobre este tema com base em indicadores que mostram a redução da pressão por leitos no Sistema Único de Saúde (SUS), diminuição no número de casos e número de óbitos, mas ponderou que para os infectologistas a situação ainda não está favorável para a tomada destas decisões.
“Para nós, o importante é a pessoa não adoecer e não adoecer e ter um leito disponível para ser internado e tratado. Então, não ficamos felizes com essa decisão”, explicou, enfatizando a importância e a eficácia do uso de máscaras mesmo elas estando desobrigadas.
A pesquisadora também afirma entender a pressa da população para se livrar do principal meio de prevenção da Covid, mas acrescenta que numa pandemia o importante é sair vivo dela. “Nós não temos uma cultura de paciência, queremos soluções rápidas, queremos passar pelos processos dolorosos muito rapidamente, sem olhar de longo prazo”, analisou Flor Spinoza.
Sobre a liberação de grandes eventos, como o Festival Folclórico de Parintins, Carnaval e jogos de futebol, Flor Spinonza lembra que estes eventos envolve preponderantemente emoções que afloram em ambientes aglomerados. “Emoções levam a pessoa a gritar, se abraçar, se aproximar dos outros e aí não sabemos quem está ou não está infectado”, relata.
Flor Spinoza também falou na entrevista sobre as novas variantes do vírus, a importância da vacinação e sobre o possível ciclo anual da Covid-19, lembrando que no janeiro mais terrível da história do Amazonas, em 2021, o número máximo de casos registrados, à época causado pela variante Gama do novo coronavírus, foi de cinco mil em um único dia.
“Em janeiro deste ano, com a predominância da variante ômicron, tivemos 11 mil casos em um único dia”, lembrou, acrescentando que o número de mortes não foi proporcionalmente maior porque boa parte da população do Estado foi vacinada.
Confira a entrevista na íntegra:
Texto: Gerson Severo Dantas
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