quarta-feira, 23 de setembro de 2026
ENERGIA

Pesquisador aponta queda de 62% no refino de petróleo na Ream

Analisando dados públicos da ANP, pesquisador avalia que Refinaria da Amazônia se tornou apenas um terminal logístico para derivados importados.
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Petrobras Congresso

Os dados públicos da Agência Nacional de Petróleo (ANP), analisados pelo pesquisador Luiz Fernando Ferreira, mostram que o refino de petróleo na Refinaria da Amazônia caiu 62% em 2023 em relação ao ano anterior, apesar do consumo de derivados de petróleo no Amazonas ter seguido no mesmo patamar.

Conforme o pesquisador, em artigo publicado no site Poder 360, em 2022 o volume de petróleo processado em Manaus foi de 1,7 milhão de metros cúbicos. No ano passado inteiro essa produção foi de apenas 673 mil metros cúbicos, sendo que no segundo semestre não foi registrado nenhum tipo de refino na Ream.

Analisando estes dados, o pesquisador aponta que a Ream deixou de refinar para ser uma refinaria para se tornar uma estrutura de apoio logístico para importações que encarecem o preço dos derivados praticados no Amazonas.

Em resposta ao artigo, a Ream informou que enviou os dados da produção/refino do segundo semestre do ano passado, mas a ANP solicitou que fossem feitas revisões que ainda estão sendo computadas.

Confira a nota emitida pela refinaria:

“A Ream informa que suas operações de refino estão ocorrendo normalmente. Os dados sobre as operações do segundo semestre de 2023 foram enviados dentro do prazo estabelecido pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
No entanto, a agência solicitou a revisão de parte das informações e, até que isso seja concluído, o sistema está bloqueado para o envio de relatórios dos meses subsequentes. A Ream aguarda a validação dos dados e a devida publicação pela ANP.”

O pesquisador, contudo, conclui que é preciso estabelecer novos objetivos para políticas públicas que transferem para a iniciativa privada operações estratégicas e essenciais para o desenvolvimento regional.

A privatização de refinarias pela Petrobras ao longo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é criticada pela atual gestão da Estatal.

O ainda presidente da empresa, Jean Paul Prates, é um dos críticos deste modelo de privatização que tinha o objetivo de tornar as refinarias privatizadas concorrentes, com a consequente queda de preços ao consumidor, o que não ocorreu ao longo do primeiro ano da privatização.

“Manaus (Ream) não é problema nosso. É problema de quem vendeu e contou ao povo que o preço do combustível iria baixar, ignorando que o sistema de refinarias da Petrobras foi montado para funcionar cooperativamente, não concorrencialmente”, disse Jean Paul Prates.

O programa de privatizações do governo de Jair Bolsonaro vendeu três refinarias: a Landulpho Alves, hoje Mataripe; a Refinaria de Manaus Isaac Benayon Sabbá, hoje Ream, e a Unidade de Industrialização de Xisto, a SIX, do Paraná.

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