Uma pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número AM-04327/2026, realizada pelo Instituto Phoenix & Associados, chamou a atenção de analistas políticos e especialistas em metodologia eleitoral no Amazonas, principalmente em razão do baixo custo declarado para a realização do levantamento.
O estudo foi registrado em 6 de março de 2026, com previsão de divulgação em 12 de março, e pretende medir intenções de voto para governador, senador, deputado federal e deputado estadual nas eleições gerais deste ano.
De acordo com o registro no sistema do TSE, a pesquisa prevê a realização de 1.055 entrevistas presenciais entre os dias 8 e 12 de março, com margem de erro declarada de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado pela empresa Franco & Rodrigues Comunicação Social e Empreendimentos Ltda., responsável pelo Jornal Correio Continental RO, que também aparece como pagadora do estudo.
No entanto, um dos aspectos que mais chamou atenção no registro é o valor declarado da pesquisa: R$ 8.500.
Considerando o total de 1.055 entrevistas, o custo médio do levantamento equivale a aproximadamente R$ 8,06 por questionário aplicado.
Para especialistas do setor, trata-se de um valor considerado extremamente baixo para pesquisas eleitorais presenciais, especialmente em um estado como o Amazonas, marcado por grandes distâncias geográficas e dificuldades logísticas.
A pesquisa afirma ter sido realizada em 14 municípios representativos do estado, embora o registro não detalhe inicialmente quais cidades compõem essa amostra. O público-alvo do levantamento é a população urbana com 16 anos ou mais, e os entrevistados são selecionados por meio de cotas de sexo, idade, escolaridade e renda, utilizando dados do IBGE e do Tribunal Superior Eleitoral.
Segundo a metodologia declarada, as entrevistas foram realizadas por abordagem pessoal em domicílios e em pontos de fluxo populacional, com aplicação de questionários estruturados por entrevistadores treinados.
O instituto também informa que utiliza um sistema de verificação posterior, com checagem de 20% dos questionários aplicados, com o objetivo de confirmar a consistência das respostas e a adequação da amostra aos parâmetros definidos no plano amostral.
Do ponto de vista legal, o levantamento cumpre as exigências da legislação eleitoral, apresentando estatístico responsável registrado no Conselho Regional de Estatística (CONRE), plano amostral, metodologia e sistema de controle de qualidade.
Ainda assim, o valor declarado da pesquisa e o curto período de coleta de dados levantam questionamentos entre especialistas sobre a viabilidade operacional do levantamento, especialmente considerando o número de municípios envolvidos e as características logísticas do estado.
Em pesquisas eleitorais realizadas em estados com dimensões territoriais semelhantes, os custos normalmente são significativamente mais elevados, devido a despesas com deslocamento de equipes, supervisão de campo, treinamento de entrevistadores e processamento de dados.
Apesar dessas observações, o registro permanece regular no sistema do TSE e a divulgação dos resultados pode ocorrer normalmente na data prevista.
Em períodos eleitorais, a análise crítica da metodologia e da transparência dos institutos de pesquisa é considerada essencial para que o público e os agentes políticos possam avaliar adequadamente o grau de confiabilidade dos levantamentos divulgados.