quarta-feira, 23 de setembro de 2026
ELEIÇÃO

AtlasIntel apresenta divergências com registro no TSE em pesquisa eleitoral no AM

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Um relatório atribuído à AtlasIntel sobre as eleições de 2026 no Amazonas apresenta divergências relevantes em relação ao registro oficial da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral. O documento de resultados, identificado como “Pesquisa Atlas — Eleições Amazonas 2026”, informa no cabeçalho que a coleta ocorreu entre 29 de abril e 5 de maio de 2026 e traz a marcação “pesquisa para consumo interno — divulgação proibida” em suas páginas.

No entanto, o formulário de registro da pesquisa no TSE, sob o número AM-09404/2026, informa outro período de campo: início em 8 de maio de 2026 e término em 13 de maio de 2026. O mesmo registro estabelece a data de divulgação para 14 de maio de 2026.

A diferença entre as datas é o ponto mais sensível. Enquanto o relatório de resultados indica que os dados já estavam consolidados em 5 de maio, o registro oficial só foi feito em 8 de maio. Isso sugere que o material interno teria sido produzido antes do período declarado formalmente à Justiça Eleitoral e antes da data autorizada para divulgação pública.

Também há divergência no tamanho da amostra. O relatório da AtlasIntel aponta 1.415 respondentes, margem de erro de 3 pontos percentuais e metodologia de recrutamento digital aleatório, o chamado Atlas RDR. Já o registro oficial no TSE informa previsão de 1.200 entrevistados, com questionário estruturado via web e pós-estratificação da amostra de acordo com características do eleitorado amazonense.

Além da diferença metodológica e temporal, o material apresenta inconsistências visuais e numéricas que levantam dúvidas sobre a revisão técnica do relatório. No cenário principal para o Governo do Amazonas, a página 7 mostra Maria do Carmo (PL) com 43,2% e Omar Aziz (PSD) com 32,1%. Já nos votos válidos, a página 8 apresenta Maria do Carmo com 45,9%, Omar com 34%, David Almeida com 12,4%, Roberto Cidade com 4,3% e Israel Munduruku com 3,4%.

O problema é que, segundo a análise do material, algumas barras e cruzamentos não parecem acompanhar visualmente os percentuais informados. Também foram apontadas inconsistências em tabelas demográficas, especialmente em recortes por sexo, voto presidencial anterior e segundo turno. Em uma das páginas de cruzamento, nomes e categorias aparecem visualmente próximos ou fundidos, dificultando a interpretação dos dados.

O relatório ainda contém erros de digitação e falhas gráficas, como marcas d’água sobrepostas e palavras ilegíveis ou truncadas. Embora erros de formatação não invalidem automaticamente uma pesquisa, eles reforçam a necessidade de cautela na leitura dos resultados, principalmente quando somados a divergências entre datas, amostra e status do documento.

Do ponto de vista eleitoral, a principal questão não é apenas quem aparece na frente nos cenários testados, mas se os dados eventualmente divulgados ao público correspondem ao mesmo levantamento registrado no TSE. A legislação exige transparência sobre contratante, período de coleta, metodologia, amostra, margem de erro e data de divulgação para que o eleitor saiba exatamente a origem das informações que circulam no debate público.

A AtlasIntel aparece no registro como empresa contratante e pagante da própria pesquisa, no valor de R$ 75 mil, com recursos próprios. O estatístico responsável informado é Andrei Camilo dos Santos, registrado no CONRE sob o número 11220.

Diante das divergências, o caso pode demandar esclarecimentos públicos da empresa responsável e eventual análise da Justiça Eleitoral, especialmente se os dados do relatório interno forem os mesmos usados para divulgação posterior da pesquisa registrada.

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