A temporada de seca da bacia Amazônica, que vai até novembro, trará para o Estado uma turma de turistas que vai invadir todas as praias e curvas de rios em busca de diversão e aventura na pesca esportiva.
Conforme a Empresa Amazonense de Turismo (Amazonastur) são esperados, nesta temporada, mais de 30 mil fãs da pesca esportiva. Eles chegam a região em busca de Tucunarés, Pirapitinga e bagres, como Piraíba, Jaú e Pirarara, que facilmente alcançam 200 quilos de peso
Um dado interessante dessa modalidade de turismo é que a pesca esportiva tem potencial tanto para o turismo interno, realizado por moradores de Manaus, quanto de brasileiros de outros estados e pescadores internacionais, estes submetidos a certos riscos em operações ainda pouco conhecidas.
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Para o turismo interno, por exemplo, as operadoras oferecem pacotes em municípios como Autazes e Careiro, aonde a pesca é forte no paraná do Mamuri, lagos do Tracajá e Maçarico e no rio Juma. Entre amigos, a opção dos manauenses é o rio Tarumã-Açu ou lago de Balbina, em Presidente Figueiredo.
Pacotes para pesca esportiva nestes municípios da Região Metropolitana são vendidos por até R$ 2 mil um fim de semana, com hospedagem, guias e piloteiros para acompanhar o pescador nas melhores áreas para pesca. Licença de pescador amador, expedida por órgão ambiental competente, é exigida do turista.
“Essa região é boa de pescar, mas a maioria de Manaus já conhece os caminhos das pedras por ali e só faz alugar as canoas, pagar o piloteiro e dormir nas barrancas do rio“, diz o empresário José Milani, que costuma pescar nessa região e não contrata os serviços de hospedagem e guias locais.
Mas o mercado na Região Metropolitana de Manaus está crescendo e, desde o início do ano, a Amazonastur e a Secretária de Produção Rural (Sepror) oferecem em parceria cursos de capacitação para operadores de hotéis, piloteiros e guias de turismo.
“A pesca esportiva é um grande carro-chefe do turismo no Amazonas. Temos um público americano muito forte, público paulista muito forte. Então, a gente tem que ter um carinho especial, porque é um vetor de emprego e renda e oportunidade de negócios”, resume o presidente da Amazonastur, Gustavo Sampaio.
Pesca esportiva em alto nível
Para pescadores profissionais do Brasil e do exterior, a demanda tem sido principalmente atraente para pescarias no rio Negro, em lagos dos municípios de Novo Airão e, sobretudo, Barcelos, onde a atividade de pesca esportiva está mais consolidada.
Em Barcelos, primeira capital do Amazonas, existem pelo menos 10 operadoras de turismo especializadas em pesca esportiva e há espaço para todos os bolsos que estejam recheados com mais de R$ 5 mil. Este valor paga pela hospedagem e os guias. A logística e a alimentação fica por conta do pescador.
Turistas brasileiros e internacionais, contudo, podem desembolsar bem mais do que isso para bancar transporte aéreo a partir de Manaus, estadia em iates de luxo, alimentação e bebida all inclusive e guias especializados e conhecedores das melhores regiões para a pesca.
Para estes aficcionados pela pesca esportiva, o bolso precisa ser o guia dele, pois a aventura pode passar de R$ 30 mil por uma semana de pescaria nos melhores iates e com os melhores chefes de cozinha.
Nível da pesca esportiva em outro patamar
Por fim, uma região pouco conhecida do amazonense tem visto a pesca esportiva crescer de maneira regular e silenciosa. Trata-se do rio Roosevelt, no município de Novo Aripuanã, na região Sul do Amazonas.

Lá um pacote de sete dias na pousada pioneira da pesca esportiva local pode sair por até U$$ 21 mil. Você não leu errado não: R$ 70 mil. Mas ai tudo é exclusivo e de altíssima qualidade envolvida, a começar pela logística de chegada, que é por via aérea.
Essa pousada tem pista de pouso que pode receber aeronaves como o KingAir, GrandCaravan e Sêneca. Quem compra o pacote tem direito a hospedagem gratuita das tripulações, que assumem o percurso a partir de Porto Velho (RO) ou Manaus.
São apenas seis chalés luxuosíssimos na sede da pousada e mais três postos avançados ainda mais embrenhados na Floresta Amazônica também na região do rio Rossevelt. Pescar Tucunarés de dez quilos e bagres gigantes de até 300 quilos são o que faz a cabeça de quem paga essa pequena fortuna.
No site da pousada, o depoimento dos pescadores sinaliza o fascínio que foi ter passado por essa área preservadíssima da floresta e pescar em seus rios. Confira alguns:
“Eu que não pesco, pesquei. Eu que não desligo, desliguei. Como brasileiro do sul, sempre quis conhecer a Amazônia, conheci. Local deslumbrante, equipe treinada. Agora conheço e fui bem“, destacou Erino Tomom.
“Foram muitos os momentos inesquecíveis que eu vivi nesta floresta, mas não posso deixar de mencionar aqui as duas observações que fiz da rara choca-de-garganta-preta (Rondonia Bushbird), as lindas fotos que fiz da mãe-de-taoca-dourada (Pale-faced Antbird) e os magníficos encontros com a onça-pintada (Jaguar) às margens do Rio Roosevelt”, escreveu Edson Endrigo.
“Tivemos 5 dias surreal em relação à pesca com uma variedade incrível de peixes, pegamos 387 exemplares entre eles 4 pirararas acima de 35kg e outras 10 exemplares menores, 1 Caparari de 18kg, Várias Cacharas, Muitos Tucunarés de 2Kg a 6Kg, Corvinas de 3kg a 7Kg, Cachorras de até 12Kg, Jundiá de até 12Kg, Piaus e mais umas três espécies que não me recordo o nome“, festejou Ferando Marzochi.