quarta-feira, 23 de setembro de 2026

PEC da Segurança: entenda o que está em jogo e o que pode mudar

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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 45/2023, chamada de PEC da Segurança Pública, foi enviada ao Congresso Nacional pelo governo federal com a justificativa de reformular a forma como o Brasil organiza e executa suas políticas de segurança.

Apresentada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a proposta altera cinco artigos da Constituição e busca fortalecer o combate ao crime organizado. Entenda a seguir o que pode mudar caso a proposta seja aprovada.

Artigo 21 – Mais poder para a União

A PEC propõe que a União passe a ser responsável por definir a política nacional de segurança pública e coordene o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e o sistema penitenciário integrando os órgãos de segurança pública nos níveis federal, estadual e municipal..

O objetivo é integrar as forças policiais com dados e procedimentos unificados, como já acontece no SUS na área da saúde.

Artigo 22 – Criação da Polícia Viária Federal

A proposta transforma as atuais polícias Rodoviária e Ferroviária Federais em uma nova força: a Polícia Viária Federal.

Essa nova corporação vai patrulhar rodovias, ferrovias e hidrovias federais, com atuação ostensiva, mas sem poder de investigação criminal.

Artigo 144 – Ampliação do papel da Polícia Federal

A Polícia Federal poderá ganhar novas atribuições, como investigar crimes ambientais, combater milícias privadas e atuar em crimes com repercussão nacional ou internacional, especialmente os relacionados ao crime organizado.

Artigo 144Guardas Municipais com papel formalizado

A proposta reconhece as Guardas Municipais como parte do sistema de segurança pública, permitindo que elas atuem oficialmente no policiamento urbano, de forma ostensiva e comunitária.

Artigo 144Corregedorias independentes

A PEC prevê a criação de corregedorias com autonomia funcional para investigar e punir desvios de conduta de agentes da segurança pública, aumentando a transparência e o controle interno das corporações.

Fundos garantidos na Constituição

Além disso, o texto propõe incluir na Constituição os Fundos Nacional de Segurança Pública e Penitenciário Nacional. Isso impede que seus recursos sejam bloqueados, garantindo investimentos contínuos na área.

A PEC também quer oficializar o Conselho Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, com representantes dos governos e da sociedade civil, fortalecendo a participação social na definição das políticas de segurança.

Apesar das novas responsabilidades para a União, o texto afirma que não retira o poder dos estados sobre suas polícias. As polícias civis, militares e os corpos de bombeiros continuarão subordinados aos governadores.

Parlamentares da oposição e governadores têm criticado a proposta, alegando que ela pode concentrar poder demais no governo federal e reduzir a autonomia dos estados.

Um dos pontos mais questionados é a possibilidade de interferência indevida nas políticas estaduais, além do risco de politização das forças policiais.

Próximos passos

A PEC ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, se aprovada, segue para uma comissão especial.

Depois disso, precisa ser votada em dois turnos na Câmara e no Senado, com o apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares em cada Casa.

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