O Amazonas foi a unidade da federação que registrou o maior aumento de mortes entre 2019 e 2020 (31,9%), em comparação a um aumento de 4,7% entre 2018 e 2019. No estado, foram registrados 22.224 óbitos em 2020, 5.390 a mais, em relação ao ano anterior (16.834 óbitos). Os resultados fazem parte das estatísticas do Registro Civil relativas a 2020, e divulgadas nesta quinta-feira (18) pelo IBGE.
Após o Amazonas, o Pará foi o que mais apresentou alta no registro de óbitos (28,0%), seguido pelo Mato Grosso (27,0%). As três unidades da federação com menores variações nos registros de óbitos, em 2020, foram o Rio Grande do Sul (4,0%), Minas Gerais (7,9%) e Santa Catarina (9,5%).
Em 2020, no Amazonas, 60,84% dos óbitos registrados foram de homens, e 39,14% foram de mulheres, proporção equivalente a registrada no ano anterior. O aumento geral nos registros de óbitos também foi equivalente entre homens (24,4%) e mulheres (24,3%). No total, em 2020, na comparação com 2019, houve 3.289 óbitos a mais registrados, de homens, e 2.144 mais óbitos de mulheres registrados, no Estado.
Quanto ao local de ocorrência do óbito, em 2020, no Amazonas, observou-se que 69,5% dos óbitos ocorreram em hospital; 22,2%, em domicílios; 3,9%, em via pública, e em 3,22% não houve declaração ou houve outro local de ocorrência declarado, percentuais próximos aos observados no ano anterior.
Faixa etária acima dos 60 anos lidera altas de mortes
Considerando as variações nos óbitos segundo três grandes grupos etários (14 anos ou menos, de 15 a 59 anos e maiores de 60 anos), é nítida a redução nos óbitos entre crianças e adolescentes em 2020 em todas as Regiões, com maior intensidade na Região Sul e a menor intensidade na Região Centro-Oeste.
Considerando o grupo de idade de 15-59 anos, na Regiões Sudeste e Norte as mulheres apresentaram maior aumento dos óbitos em relação aos homens. Além disso, em todas as Grandes Regiões entre 2019 e 2020 o aumento dos óbitos dos homens se contrapõe à redução no período anterior.
Na população acima de 60 anos, os maiores aumentos se deram entre os homens e em percentuais muito superiores aos observados entre 2018 e 2019. Sobressai a Região Norte, com percentuais de aumentos dos óbitos de 39,9% e 30,1% para os homens e mulheres, respectivamente. Os menores aumentos nas mortes para esse grupo etário foram observados na Região Sul, de 10,5% para os homens e 5,6% para as mulheres.
O aumento considerável observado em 2020, no Amazonas, se deu para as faixas etárias a partir de 35 anos (15,1% mais óbitos, para a faixa etária de 35-39 anos), e os maiores aumentos estão concentrado entre as pessoas com 60 anos ou mais de idade (35,9% óbitos a mais, na faixa etária entre 60 a 64 anos de idade, e 36,1% a mais, na faixa etária de 65-69 anos foram os maiores aumentos).
Com relação ao grupo de idosos (60 anos ou mais) que concentra o aumento dos óbitos em 2020, todas as unidades da federação apresentaram aumento nos óbitos masculinos e femininos, superior àqueles registrados entre 2019 e 2018. A região Norte, como já apontado, apresentou os maiores aumentos relativos entre os homens (Amazonas, 52,8%, representando 2.701 óbitos; Amapá, 45,8%, representando 355 óbitos; Pará, 44,8%, representando 4.894 óbitos) e entre as mulheres (Roraima (40,6%, representando 211 óbitos; Amazonas, 40,5%, representando 1.680 óbitos e Pará, 32,4%, representando 2.811 óbitos).
No grupo de idade que engloba jovens e adultos (15 a 59 anos) todas as unidades da federação apresentaram aumento no quantitativo de óbitos masculinos e femininos. No caso dos homens, os maiores aumentos relativos foram observados no Mato Grosso (27,6%, representando 1.220 óbitos), Ceará (27,2%, representando 2.756 óbitos) e Roraima (24,8%, representando 170 óbitos). Já no caso das mulheres, os maiores aumentos relativos foram observados nos Estados da Região Norte: Amapá (32,0%, representando 111 óbitos), Amazonas (28,6%, representando 542 óbitos) e Rondônia (25,2%, representando 222 óbitos). Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul se destacam entre as com os menores aumentos relativos nos óbitos, por sexo, neste grupo etário.
Para as idades abaixo de 20 anos, observou-se redução dos óbitos entre 2019 e 2020. No período 2019-2020, o número total de óbitos para os menores de 15 anos de idade apresentou diminuição em relação ao ano anterior de 13,4%. O número de óbitos dos menores de 1 ano de idade declinou 20,0% entre 2019 e 2020, representando uma diminuição de 199 óbitos de menores de 1 ano de idade, frente a uma alta de 2,3% no período de 2018-2019 (23 óbitos a mais).
Esse fato pode estar relacionado tanto à diminuição dos níveis de mortalidade nessa faixa etária quanto ao menor número de filhos nascidos no último ano. Para os óbitos das crianças entre 1 e 4 anos de idade as reduções foram de 19,5% (39 óbitos a menos) entre 2019 e 2020, frente a uma queda de 2,0% (4 óbitos a menos) entre 2018 e 2019. Entre 5 e 9 anos de idade houve estabilidade nos registros de óbitos, e entre 10 e 14 anos, queda de 13,7% (19 óbitos a menos).
Óbitos não naturais são somente 5,7% do total
No Amazonas, em 2020, apenas 5,7% das mortes tiveram natureza não natural (homicídios, suicídios, acidentes de trânsito, afogamentos, quedas acidentais etc.). Em 2019, o percentual de mortes não naturais foi maior, 8,95%. O percentual de mortes naturais, classificação que inclui os óbitos decorrentes de doenças, como a Covid-19, no Amazonas (93,51%) superou a média nacional (90,84%).
Manaus teve a 5ª maior alta de mortes entre capitais
Todas as capitais registraram aumentos percentuais nos óbitos entre 2019 e 2020, superiores àqueles observados entre 2018 e 2019 e superiores àqueles apresentados pelas unidades da federação.
Considerando o filtro feito nos registros por óbitos segundo o local de residência do falecido, é possível que o aumento dos óbitos nas capitais reflita não só que a população da capital sofreu maiores impactos com a pandemia, mas também que tenha havido maior deslocamento das pessoas para a capital em busca de tratamento nos centros de maior complexidade e ali tenham vindo a falecer, com inconsistência no registro do local de residência da pessoa.
Manaus, Itacoatiara e Manacapuru foram os municípios com mais mortes
Em Manaus, foram registrados 15.110 óbitos em 2020. O segundo município com maior número de óbitos registrados foi Itacoatiara (465), seguido por Manacapuru (452), Parintins (448) e Coari (445). O município que registrou menos mortes no Estado foi Japurá, com 7 óbitos.
Maior parte dos óbitos ocorreram nos meses de abril e maio, em 2020
No Amazonas, em 2020, a maior parte dos óbitos ocorreram nos meses de abril (15,81%) e maio (14,42%), meses em que ocorreu a primeira onda de Covid-19 no Estado. Os menores percentuais, por mês, foram registrados em fevereiro (6,20%) e março (6,21%), períodos pré-pandemia.
Brasil
O volume de óbitos registrados no Brasil foi de 1.510.068 em 2020, ano em que se inicia a pandemia de COVID-19. O total de óbitos, em 2020, representou um aumento de 14,9% (ou 195.965 óbitos), em relação a 2019, e foi relativamente maior para os homens (16,7%) do que para as mulheres (12,7%).
A análise dos óbitos totais por Grandes Regiões aponta que aquela que mais sofreu com o aumento relativo de mortes foi a Região Norte, com aumento total de 25,9% de aumento, seguida da Região Centro-Oeste, com 20,4%. Por outro lado, a Região Sul registrou o menor aumento no volume de óbitos total em 2020, correspondente a 7,5%.
Fonte: IBGE-AM
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