quarta-feira, 23 de setembro de 2026
EM 2023

País abateu 6,4 bilhões de animais, mas ainda tem milhões de famintos

Relatório da produção, divulgado pelo IBGE, mostra que foram abatidos 34 milhões de bovinos, 57 milhões de suínos e 6,2 bilhões de frangos
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Produção de aves no Brasil
Foram abatidos 6,2 bilhões de frangos em 2023. As aves também renderam 4,2 bilhões de dúzias de ovos

O Fórum Ação da Cidadania, iniciativa criada pelo sociólogo Herbet de Souza, o Betinho, no início dos anos 90, informa no relatório de 2022 que 33 milhões de brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar. Mas isso não é por falta de produção de alimentos no País.

Números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira (14), mostram que em 2023 foram abatidos a impressionante marca de 34 milhões de bovinos, 6,28 bilhões de frangos e 57,7 milhões de suínos, frutos da pecuária mais pujante do mundo.

Além do abate dos animais, subprodutos deles também poderiam contribuir para reduzir a insegurança alimentar em nosso país: foram produzidos 24,52 bilhões de litros de leite cru; além de 4,21 bilhões de dúzias de ovos de galinha.

Embora impressionante, essa estatística de produção de alimentos não inclui, por exemplo, a produção de proteína de peixes e frutos do mar, o que certamente jogaria a quantidade de alimentos circulando na economia para níveis mais que suficientes para abastecer a população brasileira e ainda sobraria para alimentar o mundo.

De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Amazonas Sérgio Gonçalves de Oliveira, o problema da produção brasileira tem a ver com a necessidade de exportar grande parte dessa produção e o restante ainda sofrer com perdas ao longo do processo de transportes e estocagem.

Todos sabemos a importância da exportação de alimentos para a balança comercial brasileira, mas sobra ainda muito alimento que é desperdiçado. Não está nessa estatística do IBGE, mas basta ir na área ribeirinha dos municípios para ver quanto de peixe morto é jogado de volta nos rios“, explica.

Em contato com o RealTime1, o Fórum Ação da Cidadania informou que ainda não fechou os números da insegurança alimentar referente a 2023, mas destacou que o ano de 2022 recolocou o Pais no Mapa da Fome, elaborado pela Organização das Nações Unidas Unidas (ONU), e evidenciou uma volta no tempo de mais de 30 anos.

“Em 1993, Betinho mobilizou a sociedade para a missão de tirar 32 milhões de pessoas da fome. Agora, em 2022, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil revelou que há 33 milhões de famintos no país. Mesmo quem planta não tem o que comer. Quem ganha um salário mínimo, não consegue comer. Lares com crianças menores de 10 anos também são os mais vulneráveis”, escreve o Fórum.

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