ERRATA: Diferentemente do que foi publicado anteriormente, os valores citados referiam-se ao total dos contratos, e não aos pagamentos efetivamente realizados. O conteúdo foi corrigido para refletir os valores pagos, com atualização dos dados acima de R$ 39.500,00.
Com base nos dados oficiais de execução orçamentária do Governo do Amazonas para o período de 2019 a 2026, é possível traçar um panorama detalhado sobre o destino de mais de 111,9 mil milhões de reais em recursos públicos. Este montante é movimentado por um grupo específico de 365 credores, cada um com faturamento acumulado superior a 39,5 milhões de reais no período analisado. A análise destes dados revela uma estrutura de gastos centrada em grandes blocos que sustentam desde a previdência social e os repasses obrigatórios aos municípios até uma vasta rede de serviços terceirizados, especialmente nas áreas de saúde, segurança e infraestrutura.
No topo desta pirâmide financeira, os pagamentos são dominados por obrigações institucionais e financeiras de larga escala. O Amazonprev lidera o ranking geral, tendo recebido mais de 12,4 mil milhões de reais, o que sublinha o peso do regime de previdência dos servidores estaduais no orçamento. Logo em seguida, a Prefeitura Municipal de Manaus aparece como o segundo maior destino de verbas, com 12,2 mil milhões de reais, reflectindo a concentração populacional e económica na capital. O setor bancário também consome uma fatia significativa, com o Banco do Brasil a receber 11,5 mil milhões de reais, valor este geralmente associado ao serviço da dívida pública e operações de crédito, enquanto a Caixa Económica Federal ultrapassa os 2,3 mil milhões de reais.
A saúde pública apresenta-se como o setor com a maior diversidade de grandes credores privados e do terceiro setor dentro deste grupo de 365 entidades. O Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano, o INDSH, destaca-se com mais de 1,9 mil milhões de reais recebidos, seguido de perto pela Aadesam, com 1,8 mil milhões.
Outros players relevantes incluem a Hapvida Assistência Médica, com 506 milhões de reais, e institutos especializados em terapia intensiva, anestesiologia e nefrologia, que somam centenas de milhões de reais individualmente. Esta configuração demonstra uma forte dependência da máquina pública em relação a organizações sociais e empresas privadas para a prestação de serviços essenciais de saúde.
No setor de infraestrutura e serviços logísticos, os números também são vultuosos. A Construtora Etam lidera o segmento de obras públicas com um faturamento de 1,8 mil milhões de reais. A manutenção energética do estado, representada pela Amazonas Distribuidora de Energia, demandou pagamentos de 987 milhões de reais.
Já a gestão do sistema prisional, um dos itens mais onerosos da segurança pública, é operada por empresas como a New Life, a Reviver e a Umanizzare, que juntas movimentaram valores que superam amplamente a marca dos mil milhões de reais. Até mesmo a comunicação governamental entra neste grupo de elite, com agências de publicidade a faturar mais de 446 milhões de reais.
Na base deste grupo de 365 credores, situando-se entre os 39,5 milhões e os 100 milhões de reais, encontram-se as prefeituras do interior, como as de Manicoré, Borba e Iranduba, que dependem destes repasses para a manutenção dos serviços locais. Neste mesmo intervalo, figuram empresas de tecnologia como a Prodam e a Teltex, além de fornecedores de alimentação escolar, vigilância e materiais laboratoriais. Em suma, os dados revelam que o orçamento do Amazonas está consolidado num mercado de grandes contratos, onde um grupo restrito de organizações detém a maior parte do fluxo financeiro estadual ao longo dos últimos oito anos.
Leia o PDF com os 365 maiores credores no referido período: