sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Pacto global deve falhar em metas para reduzir poluição plástica

Relatório aponta que redução do uso de plástico virgem por materiais recicláveis tem se tornado inviável até 2025.
COMPARTILHE
plástico campeão entre os resíduos do mar foto Martine Perret/ONU

SÃO PAULO, SP – A substituição de embalagens de plástico virgem por aquelas com material reciclado ou reutilizável não deve acontecer até 2025, que significa uma falha no pacto global. Além disso, quase metade das empresas do mundo (42%) ainda não adotou medidas com essa finalidade. É o que mostra um relatório produzido pela Fundação Ellen MacArthur e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Outro alarme é o crescimento no uso de plástico virgem, que apresentou queda entre 2018 e 2020. Porém frustrou expectativas ao retomar no ano passado o patamar de 2018.

O compromisso

O Compromisso Global por uma Nova Economia dos Plásticos foi firmado naquele ano com 500 instituições, governos e organizações não governamentais e as grandes empresas. Elas que somam metade dos signatários e representam um quinto do plástico fabricado no mundo.

O objetivo conjunto é combater a poluição plástica por meio da reciclagem e da permanência do material já fabricado nas cadeias produtivas e de consumo. A proposta que vem da economia circular. Uma das formas de manter esse plástico em circulação está na meta que pretendia ter 100% das embalagens no mercado feitas de materiais recicláveis ou reutilizáveis até 2025.

A parcela de materiais desse tipo era de 63,2% em 2019, porém os pequenos incrementos de sua participação, não devem ser suficientes ou seja, cumprido o objetivo daqui a três anos.

Aumento na reciclagem

Apesar disso, a meta principal do compromisso esteja se tornando inviável até 2025, a quantidade de resina reciclada usada passou de 4,8% para 10% entre os signatários. Um avanço na visão de Thais Vojvodic, gerente da iniciativa Nova Economia do Plástico na Fundação Ellen MacArthur.
Em entrevista à Folha, a especialista afirma que há dois principais entraves para os objetivos propostos. Um deles é a dificuldade técnica de reciclar plásticos flexíveis, justamente aqueles utilizados em embalagens, como sachês de molhos e embalagens de chocolates.

Deficiência na coleta e processamento

O outro é a infraestrutura deficitária para a coleta e o processamento em escala das embalagens. “Não adianta ser tecnicamente reciclável. Nossa definição de reciclabilidade é que haja evidência de que existe infraestrutura para a reciclagem em escala”, afirma Thais.
“Por volta de 16% das embalagens que as empresas colocam no mercado são flexíveis. Contudo, não existe avanço suficiente para que até 2025 haja um plano concreto para que elas sejam recicláveis.”
Já a presença do plástico virgem nas embalagens, verificada em MMT (milhões de toneladas métricas), também é alarmante. Embora tenha havido uma pequena queda até 2020, as embalagens com o material voltaram a 11,9 MMT no ano passado, o mesmo de 2018.

A meta

Para chegar à meta de 9,5 MMT em 2025, seria necessária uma redução de 5,4% deste ano em diante, o que não deve acontecer.
“Existe uma tendência grande de utilização de plástico reciclado, o que tende a reduzir a quantidade de plástico novo que precisa ser produzido. Apesar disso esse crescimento não está sendo suficiente”, diz Thais.
Ela explica que há uma tendência entre os signatários do compromisso para o uso de plástico reciclado. Mas que isso não supera o volume produzido por grandes empresas.

Essa participação do plástico reciclado tem aumentado desde 2018, porém precisa crescer a um ritmo de 27% ao ano para chegar à meta de 2025, de 26% de reciclados em relação a todas as embalagens plásticas usadas.

Thais também destaca o papel de governos, que somam 50 dos signatários. Países que poderiam atualizar suas legislações para promover políticas com os conceitos de economia circular e com leis e programas de incentivo fiscal.

Brasil

Hoje há apenas projetos, e, para a especialista, “compromissos voluntários não são suficientes”. O Brasil ainda precisa investir em infraestrutura de coleta. Agora com grande participação de catadores– e processamento, o que permitiria de fato o aumento da reciclagem.
O país deve se juntar a outros para definir os rumos da reciclagem. Em novembro, quando começa a ser negociado no Uruguai o Tratado Global dos Plásticos, previsto para 2024.

Por Lucas Lacerda da Folhapress

Leia Mais:

COMPARTILHE