quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Os pré-candidatos e as redes sociais - Um balanço

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Gilson Gil é sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Após quatorze semanas acompanhando os pré-candidatos a prefeito de Manaus, é hora de um balanço e de ajustes no projeto. Duas pré-candidatas deixaram de lado a campanha. Então, ficarão de fora das próximas análises.

Além disso, nesta semana, acreditamos ser preciso um balanço. Após as convenções, as regras mudam, as estratégias de marketing se modificam e a atuação dos atores passa a ser distinta, pois já viraram “candidatos”, de fato e de direito. Assim, a semana quinze será de reposicionamento e reavaliação.

Na próxima semana, a de número dezesseis, retomaremos a atuação semanal dos candidatos, como estávamos fazendo. E vamos ao balanço desses dois meses e meio:

David Almeida foi o mais linear. Adotou um estilo “minimalista”, sem grandes promessas ou ofensas aos adversários. Diariamente, inaugurou obras, fez reformas em várias estruturas e acompanhou diferentes projetos. Celebrou os sábados, mostrou a família algumas vezes, e esteve sempre andando, aparecendo nas ruas e junto ao povo.

Sem poder inaugurar obras, continuou mostrando revitalizações e reformas, mantendo o rumo adotado desde o início. Largou alguns itens, como o “Davizinho”, mas, de forma geral, foi o que mais manteve a continuidade do estilo de apresentação no instagram pessoal.

Amom Mandel oscilou. Foi o mais “brincalhão”, repetindo memes de sucesso nas redes sociais, para apresentar suas ideias. Exibiu alguns projetos, como a revitalização do Centro, evitando detalhes. Também buscou mostrar ideias novas, como edital de emendas, e de outras cidades, como o hospital de Florianópolis. No início, mostrava mais seu cotidiano no Congresso. Depois, acabou ficando mais preso a Manaus e aos temas locais.

De um início mais leve e divertido, acabou, no meio da campanha, endurecendo as falas, criticando muito o prefeito e até outros adversários. Foi bastante atacado também e terminou essa fase mostrando a convenção e exibindo uma vice que surpreendeu vários analistas. Agora, é ver o que irá mostrar. Poderá continuar com os memes, enfatizando sua juventude e “independência”, entrar no detalhe dos projetos ou seguir brigando com os adversários?

O Capitão Alberto buscou, repetidamente, mostrar Bolsonaro e afirmar que é o candidato da “verdadeira” direita de Manaus. O ex-presidente foi o grande personagem de suas postagens Com o tempo, passou a exibir algumas ideias, especialmente na área de segurança, onde se sente mais à vontade. Emplacou o jargão do “choque de ordem” (que já foi muito usado no Rio de Janeiro, por Cesar Maia e Eduardo Paes) e fechou essa etapa repetindo esse slogan sempre que pode.

Durante esse ciclo, passou a mostrar mais sua atuação no Congresso, principalmente os ataque a Lula e Haddad. Porém, gastou muito tempo dizendo que não largaria a candidatura para ser vice de Cidade. No final, conseguiu a adesão de Maria do Carmo e fez sua convenção repetindo o slogan da “direita de verdade” e do “choque de ordem”. Sua maior briga é realmente se firmar como o nome da “direita”, posto que Cidade também pleiteou esse epíteto.

Marcelo Ramos começou agressivo, atacando a todos os outros, sempre defendendo Lula e criticando a direita. Aos poucos, tentou mostrar ideias, especialmente na saúde e segurança, mas sempre criticando o prefeito. Também atacou muito Amom e Cidade, reclamando que nunca, como parlamentares, ajudaram Manaus.

Durante esse período, talvez buscando amenizar a imagem de agressivo, criou um quadro chamado de “Minha Trajetória”, no qual falou da morte do pai, da vida com a mãe, do convívio com os irmãos e de seus primeiros trabalhos. Enfatizou muito sua atuação como parlamentar, mostrando as verbas que enviou para Manaus. Fechou essa fase conseguindo o apoio do PSOL, com a desistência de Natália Demes, e obtendo novos apoios, como o do PDT, que forneceu o vice, Luiz Castro.

Roberto Cidade fez uma trajetória muito estudada. Começou mostrando seu trabalho de parlamentar. Depois, aos poucos, foi para as ruas, exibindo populares e tentando mostrar quem ele era. Ao final de algumas semanas, priorizou as ruas e o povo, sempre exibindo reuniões, eventos, caminhadas e falas de pessoas humildes. Mostrou várias reuniões em bairros com pré-candidatos a vereador.

Fez questão de exibir seus apoios, incluindo o governador. Criticou o prefeito e Amom muitas vezes, tentando mostrar ideias próprias. Exibiu várias pesquisas nas quais estaria subindo, tendo elas como seu grande trunfo da reta da campanha. Acentuava seu caráter de “povo”, tomando café e almoçando as ruas. Fechou essa etapa com o apoio de Menezes, ícone do bolsonarismo local, e fazendo uma convenção grandiosa, na qual o grande nome foi o governador.

Wilker Barreto começou muito preso ao seu trabalho na ALEAM, como deputado estadual. Criticava muito o governador e os secretários. Lentamente, foi soltando ideias para Manaus e criticando alguns adversários, como o prefeito. Enfatizou muito que é o mais “preparado” e que o prefeito seria incompetente e “gastador”.

Priorizou a questão do meio ambiente e do lixo, assim como a segurança. Contudo, sempre gastou muito tempo falando do governador, deixando Manaus de lado. Fez alguns desafios a Amom, mas não obteve respostas. É possível que, agora, passe a dar mais atenção à campanha e priorize os problemas de Manaus.

Maria do Carmo enfatizou muito que era “independente” e “competente”. Fazia questão de afirmar que era uma “outsider’ e que os outros eram todos da “velha política” (incompetentes ou corruptos). Porém, acabou se aliando ao capitão e não iremos mais falar dela.

Natália Demes enfatizou muito a questão da mulher e, às vezes, o meio ambiente. Criticava o prefeito, mas não de forma agressiva. Postava muitos eventos de apoiadores e reuniões com pré-candidatos a vereador. Sempre eventos fechados, geralmente em bares ou teatros, e sem a presença de “povo’, como outros adversários faziam. Acabou desistindo em prol de Marcelo e não iremos mais acompanhá-la.

Gilberto Vasconcelos se firmou como o nome do PSTU na reta final desta etapa. Fez uma convenção em um sindicato, mostrando seu caráter “classista”. Sua prioridade é mostra sua ideologia de esquerda e que seria o único a querer “romper com o capitalismo”. Posta pouco e quase sempre para se apresentar ao eleitorado. Usa pouco as redes sociais, apesar de ainda não ser um nome muito reconhecido.

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