Depois de quase quatro meses (incluindo a pré-candidatura) de campanha nas redes sociais de forma pacífica e “construtiva”, o prefeito David Almeida começou a desancar o candidato Roberto Cidade. As inserções e o horário gratuito seguiram nesse rumo. Ataques diretos.
Todos esses ataques focam no mesmo tema: Cidade ser uma “marionete” do governador Wilson Lima. O prefeito atual aposta em uma rejeição do eleitor ao governo estadual. Identificando Cidade como homem de Wilson, a rejeição acompanharia a candidatura.
Por que tal mudança no líder das pesquisas? Desde o início da campanha, víamos que Cidade, o Capitão Alberto, Amom Mandel, Wilker Barreto e Marcelo Ramos se atacavam e ao prefeito sem dó nem piedade. Insultos, insinuações, apostas, ofensas e críticas (mais ou menos pessoais) se multiplicaram nesses meses.
Contudo, David se mantinha, olimpicamente, distante dessa balbúrdia generalizada. Só mostrava louvores ao sábado, obras da prefeitura, cenas com a família e depoimentos de amigos. Por que mudou, então?
Penso que a resposta está nas pesquisas de opinião. Todas elas, nas últimas duas semanas, com maior ou menor credibilidade, apontaram para um fato: Cidade cresceu, passou Amom e se consolidou como o segundo colocado.
Faltando cerca de duas semanas para a eleição, parece que alguns candidatos já enxergam o segundo turno como logo ali. O prefeito partiu logo para o conflito, mostrando que não concorda com o segundo colocado e que não vai muito com a cara do governador.
Por que tal confiança de que os nomes do segundo turno já estão certos? Talvez porque a curva de Amom seja descendente, sem sinais de recuperação, e a de Cidade seja ascendente. É interessante notar que os outros continuam em suas brigas. Há várias eleições dentro de uma eleição.
Por exemplo, temos de citar a curva, lenta, ascendente do Capitão. Inclusive, ele já chega a ameaçar a terceira colocação de Amom. Vendo tal fato, o candidato de Bolsonaro ataca diariamente Cidade, criticando-o por “aumentar impostos”, na Assembleia estadual.
O Capitão enxerga que pode passar Amom e Cidade, indo para o segundo turno. Por seu lado, Amom se recusa a cair, o que é natural, e bate para todo lado, insistindo nas teses de seu plano, que seria o melhor, e no combate à corrupção.
Esse movimento sinaliza que o segundo turno chegou. O prefeito já vê Cidade como seu oponente e quer logo se distanciar dele. Quer “manchar” sua imagem com o selo de “marionete do governador”. Não quer deixar Cidade entrar “limpo” no segundo turno.
Cidade, Capitão e Amom brigam entre si, pois enxergam que é a hora da última corrida, do último sprint. Não dá para amolecer agora. Caminhadas, visitas de Bolsonaro, caminhões circulando, bandeiraços e adesivaços, entre outras armas, irão se intensificar nesses dias.
O problema, entretanto, é prever quem será aliado de quem. Tais ataques não podem ser muito fortes, pois daqui a quinze dias haverá um realinhamento e atuais inimigos virarão amigos de longa data.
Quem ficaria com David? Penso que Marcelo Ramos, pois o prefeito está com os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga, aliados de Lula e do PT. Talvez Amom, embora ele pareça imprevisível e possa não apoiar ninguém. Afinal, ele diz que há corrupção em todo lugar e seria estranho apoiar alguém. Wilker também é imprevisível, mas creio que as diferenças dele com o governador são maiores do que as com o prefeito. Provavelmente, caso haja um segundo turno de David contra Cidade ou o Capitão, ele ficará com o atual alcaide.
Teoricamente, Cidade e o Capitão são irmãos da “direita de verdade”. Menezes, Bolsonaro, Michelle e Nikolas são fatores que os unem, apesar dos ataques mútuos. Penso que é uma união natural, apesar dos confrontos nas redes sociais.
E se for David x Amom, no segundo turno? Realmente, a imprevisibilidade de Amom torna difícil que a direita o apoie. Penso que iria em um voo solitário, sem apoios visíveis. Qualquer tipo de ajuda soaria ruim, pois ele reclama muito da corrupção generalizada.
Enfim, são hipóteses e cenários. O fato é que os “finalmente” estão chegando. É hora de vermos quem continuará.
E não seria possível alguém vencer no primeiro turno? Diria que isso nunca ocorreu, desde a instauração dos dois turnos, e não parece que será agora. Teremos, pelos números, dois turnos. Os ataques de hoje se transformarão em elogios e promessas de amor eterno em duas semanas. É espera