Certa vez, acompanhei meu pai a uma missa em Ação de Graças pelo aniversário da empresa de um saudoso amigo dele.
Gerenciada por um de seus filhos, ele recebera o convite do qual muito o honrou.
Marcada para começar por volta das 8:00, já estávamos no local em torno das 7:25.
Chegar com certa antecedência aos compromissos é algo que, certamente, herdei dele.
Ao adentrar a capela que abrigaria a missa, apenas os integrantes do coral estavam presentes.
Ficamos lá sentados na segunda fileira ouvindo o último ensaio.
Após trocarmos algumas palavras, outros convidados começaram a chegar.
Sobre um deles, que vestia uma camisa grená, meu pai fez um breve comentário: “Este aí já me aprontou uma, você nem queira saber”.
Antes que conseguisse perguntar qual o nome dele, as chegadas de outras pessoas acabaram tirando minha atenção.
Como previsto, o espaço só encheu muito próximo ao horário previsto para o início do culto.
Contando com um padre, que me pareceu bem jovem, a missa seguiu seu rito.
Ao chegar à parte da comunhão, acompanhei meu pai para receber a hóstia.
De volta aos nossos lugares, meu pai logo se levantou em direção ao anteriormente citado senhor de camisa grená.
Falou por alguns minutos com ele e logo estava de volta ao meu lado.
Não demorou muito para que a missa se encerra-se.
Antes de seu término, no entanto, o filho do fundador da empresa, seu amigo, agradeceu o comparecimento de alguns presentes, dentre eles, meu pai, o destacando como um amigo de longa data.
Notei discretamente seu sorriso de satisfação na lateral da sua boca.
Missa encerrada, nos dirigimos ao carro e partimos de volta para casa.
Suas primeiras palavras foram de agradecimento a mim, por ter o levado a missa.
Como se isso fosse necessário.
Em seguida, destacou “não sabia que era tão gostado, ainda mais sabendo que não ocupo mais nenhum cargo”.
Não demorei para perguntá-lo o que ele teria ido falar com aquele senhor de camisa grená pouco após a comunhão.
Antes de me responder ele pontuou que tivera vivido uma experiência não muito boa com o mesmo já fazia mais de 15 anos e que, desde então, jamais tiveram a oportunidade de voltar a se falarem.
Em seguida pontuou o teor de sua conversa. Meu pai disse: “… sei que tivemos alguma desavença no passado e confesso nem saber mais qual motivo, mas vamos deixar isso de lado, pois o nosso silêncio mútuo não nos faz e a ninguém.”
Era notório ver o quanto ele me pareceu feliz
Pois é…
O perdão não tem prazo de validade e faz um bem.
Que Deus me ilumine a ponto de conseguir aprender com mais esta lição paterna.