domingo, 25 de outubro de 2026

O que é mesmo liderar? Ação, influência e legado no dia a dia

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Psicóloga e Mentora de Líderes, especialista em performance de pessoas e negócios.

Eu amo falar, escutar, ler, escrever e tudo o que envolva liderança. Talvez porque eu realmente acredite que, em todos os momentos, estamos liderando ou sendo liderados. Assim sendo, quanto mais entendemos sobre o assunto, mais aptos estaremos a atuar com eficácia e a desenvolver habilidades para liderar melhor. Ou ainda, para ajudar outras pessoas em sua missão de conduzir e influenciar outras.

Com o tempo, passei a considerar a liderança não como um conceito, não como uma técnica ou uma teoria, mas como um conjunto de comportamentos assertivos em ação, presentes em cada evento do dia a dia.

Não é um conceito porque, até hoje, não encontrei uma única definição da palavra que consiga capturar toda a ideia e a profundidade do que significa liderar. Quando pensamos em técnica, também não encontro uma que cubra todos os detalhes nas mais diversas situações que um líder enfrenta. E não acredito que seja uma teoria, pois existem tantas regras e leis criadas para definir o que é certo ou errado em um líder, mas nenhuma que abranja de forma completa os princípios fundamentais do “verdadeiro líder”.

Uma estratégia prática para entender a liderança envolve internalizar esses conceitos e praticar a autoavaliação constante. Pergunte-se a cada situação: “Como eu reagi diante desse desafio? Eu agi com assertividade, ou fui reativo? Como eu poderia ter feito melhor para atingir o equilíbrio entre resultados e relacionamentos?” Essa reflexão contínua não só melhora a autoliderança como também molda a capacidade de influenciar positivamente os outros ao seu redor.

Costumo perguntar aos participantes de meus treinamentos sobre o conceito de liderança, e é unânime que eles apontam vários comportamentos como suas definições de liderança, como: saber ouvir, ser exemplo, motivar pessoas, comunicar com clareza, oferecer propósito, conduzir grupos para resultados, planejar estratégias, identificar e desenvolver talentos, entre outros. Esses comportamentos são, na verdade, o que definem uma liderança eficaz. É crucial que esses comportamentos sejam vividos na prática, pois conheço muitos que são mestres em oratória, com discursos eloquentes sobre gestão, mas na prática não agem de maneira adequada para com as pessoas ou para com os processos.

Mas o que seriam então comportamentos assertivos? Do ponto de vista psicológico, comportamento é o modo como o ser humano age diante do seu ambiente. Quando alguém possui um padrão estável de comportamento, dizemos que essa pessoa apresenta uma conduta. Quando defino liderança como um conjunto de comportamentos assertivos, refiro-me à “pessoa-líder” como alguém que sabe agir com uma conduta adequada diante das diversas situações que surgem. Por exemplo: é capaz de ser humana e acolhedora quando seu liderado precisa de ajuda e, ao mesmo tempo, ser firme quando necessário, cobrando resultados através de um feedback eficaz, que muitas vezes será corretivo.

Infelizmente, encontramos muitas pessoas sem gestão emocional, que acabam agredindo com palavras ou atitudes aqueles que deveriam ser seus companheiros de trabalho. Por isso, também é importante exemplificar o padrão estável como alguém com inteligência emocional, capaz de lidar bem consigo mesmo e com os outros em relações saudáveis.

Quando falo de ação, quero ressaltar que muitas pessoas tem excelente apresentação pessoal, força na fala e discursos bonitos sobre liderança, mas, na prática, essas palavras não se traduzem em ações que inspirem suas equipes.

Isso nos leva a refletir: de quantos “líderes” você já ouviu falar, ou que estuda ou até mesmo ensina sobre liderança, mas que não são capazes de citar pessoas que realmente foram inspiradas por sua liderança? E aqui entra um ponto importante: ser líder é uma oportunidade única de deixar um legado, de deixar lembranças positivas na memória das pessoas.

Ser alguém capaz de cumprir uma missão, atrair pessoas para uma boa causa, estimulá-las a fazer o seu melhor por meio de relações harmoniosas e produtivas, e ser lembrado com carinho como um líder voltado para pessoas e resultados.

Perceba que, na expressão “harmoniosa e produtiva”, assim como em “orientada para pessoas e para resultados”, não há hierarquia. Muitas vezes, há crenças limitantes que fazem as pessoas acreditarem que focar em processos e pessoas são tarefas incompatíveis. No entanto, isso não é verdade. Simplesmente é possível.

A definição de liderança que proponho é: liderança é um conjunto de comportamentos assertivos, aplicados de forma contínua, em cada situação diária. Como por exemplo, quando você precisa cobrar do filho os deveres de casa, com firmeza, sem perder a autoridade, mas também com amor. Ou quando você decide estudar em vez de sair com os amigos, focando no futuro em vez da gratificação imediata. E quando você resiste à tentação de comprar algo desnecessário, priorizando o planejamento e os objetivos a longo prazo.

Vivemos em um mundo de possibilidades, de oportunidades, de abundância. Não defendo definições rígidas de liderança que qualifiquem ou limitem as pessoas a estilos inflexíveis. Acredito que saber dizer “não”, recusar um convite, ser firme sem ser grosseiro é uma excelente forma de liderança. Desde que suas palavras sejam verdadeiras e ditas com amor.

Neste caminho,Liderança “é”. “É” de ser. Porque antes de fazer ou ter, liderança precisa ser um conjunto de comportamentos assertivos em ação, presentes em cada um dos eventos do dia a dia.

Segundo uma pesquisa realizada pela Gallup, 70% da variação no engajamento dos colaboradores é determinada pelo comportamento de seus líderes. Isso significa que a qualidade da liderança tem um impacto direto no sucesso das equipes e organizações. O que me lembra a frase de John Maxwell  “Liderança não é sobre ser o chefe, mas sobre inspirar os outros a serem a melhor versão de si mesmos.” 

O meu convite é seja uma Liderança de Alto Impacto!

*O conteúdo é de responsabilidade do autor e não expressa, necessariamente, a opinião do RealTime1.

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