Desde que a propaganda para a copa do mundo feminina começou, outro embate surgiu. Redes sociais “progressistas” e “conservadoras” (vamos chamar assim, para não personalizar) começaram uma disputa sobre a equipe.
Os conservadores, incomodados pela propaganda maciça executada pela Rede Globo, considerada por eles uma apoiadora da pauta “esquerdista” (sem entrar no mérito se é real isto ou não), começou a reclamar da seleção. Criticam o fato de não haver uma tradição de futebol feminino que justifique tanto investimento e tempo na mídia, além dos resultados não explicarem tamanha festa sobre a equipe brasileira, incluindo os pontos facultativos. A derrota do time feminino, em um jogo treino, para uma equipe masculina sub-15 gerou inúmeras piadas nas redes sociais.
Por outro lado, os progressistas insistem que, “se os homens podem ter ponto facultativo, as mulheres também”. Nessa linha, reclamam que o futebol feminino foi proibido por mais de 30 anos e que agora é hora de apoiarem as jogadoras. Também exaltam a necessidade de patrocínios e criticam como misóginos aqueles que não estão vibrando com a seleção.
Nas redes sociais, os progressistas “tiram sarro” com o fato de a seleção feminina usar a camisa amarela, suposto símbolo dos “patriotas” conservadores. Seria uma espécie de “vitória” das mulheres sobre o preconceito. O lado conservador critica o que seria “forçar uma barra”, empurrando um torneio sem tanta tradição goela abaixo do telespectador, aproveitando-se da marca da seleção.
E por que o rosa? Ora, nem a Barbie fugiu desse conflito, ou lacração, como dizem nas redes sociais. Aproveitando-se de um roteiro que discute questões como o papel coadjuvante do Ken (homem cis e hétero) no mundo Barbie e sua predominância no mundo real, novamente a internet ferve.
Os conservadores reclamam que “se maculou” a Barbie, tornando-a feminista. Os progressistas dizem que ela se “empoderou”, mostrando como o “patriarcado” domina o mundo. Sem questionar se o filme é bom ou ruim, alguns dizem que não o verão e outros que irão ao cinema, apenas por falar da emancipação da Barbie.
Vamos ao nosso ponto: como é cansativo este debate de cores e ideologias no Brasil. Em vez de torcer, ou não, pela seleção, usam-se argumentos políticos, ideológicos e sociológicos para racionalizar a escolha em assistir, ou não, os jogos.
O espectador médio, que desconhece Ciências Sociais, não tem a chance de escolher se quer, ou não, acordar cedo e torcer pela seleção. Torcer, ou não, virou uma questão política. Imediatamente, após dizer se torce, ou não, pela seleção, se vai usar verde e amarelo ou colorir a casa, o sujeito é rotulado de “fascista” ou “comunista”.
O futebol feminino ainda está crescendo no gosto popular. Já há investimentos maiores da mídia, especialmente da Tv que possui o monopólio dos selecionados. Porém, é um processo de conquista e sedução do público.
Neste momento, rotular uma equipe e um esporte de “fascista” ou “comunista” não ajudará em nada o esporte brasileiro, as mulheres ou o próprio torcedor comum.
O mesmo com a Barbie. Apesar de um roteiro com questões típicas dos “estudos culturais” americanos – feminismo, patriarcado etc – se poderia simplesmente curtir o filme, deixando os debates sociológicos para outros temas mais importantes, como desemprego, reformas etc. Será que a Barbie e o Ken são tão vitais para o futuro da economia brasileira? Estamos em meio a uma reforma tributária que mudará o perfil do país, sem falar do arcabouço fiscal, que mexe com o Estado. O que a Barbie e o Ken têm a ver com isso?
Em suma, estamos perdendo tempo com futilidades (ressaltando que defender a cidadania feminina é essencial), como futebol, bonecas, cores ou filmes de Hollywood.
O país não se cansa dessa briga inócua? Até quando vamos ser “debatedores de internet”, deixando de olhar os dilemas reais do país – reformas, papel do Estado, impostos, inclusão, geração de empregos etc?!
Já é hora de largarmos tais questões menores, deixando as pessoas simplesmente curtirem seus desejos e lazeres, partindo para preocupações mais adultas e centrais, ou será que não importa descobrir o que mudará com o novo imposto unificado???