Em agosto, a Perspectiva lançou uma pesquisa de opinião sobre as eleições de 2024. Foi uma pesquisa quantitativa, com uma amostra de 2 mil entrevistas e margem de erro de 2,2%.
Os resultados seguiram a tendência de uma anterior feita pela mesma empresa em março. O atual prefeito Davi Almeida tinha 31,9% e agora chegou a 36,9%. Em segundo, vinha Amon Mandel, com 26,2%. Agora, ele obteve 26,4%. Em terceiro, havia o coronel Menezes com 9,8%, que agora baixou para 8%. O quarto lugar ficou com Ricardo Nicolau, que obteve 4,8%, sendo que antes tinha 4,1%. Tirando Davi, todos os outros variaram dentro da margem de erro.
Será que isso é bom ou mau? Vamos a alguns números:
Desde 1992, quando foi inaugurada a eleição para prefeito em dois turnos, ninguém foi eleito em um turno apenas. Em relação aos votos no primeiro turno podemos ver que o segundo colocado com menos votos (proporcionalmente) foi Vanessa Graziotin, em 2018, (18,8%). O primeiro colocado no turno 1, com mais votos, foi Alfredo Nascimento, em 2000, com 45%.
A menor diferença no primeiro turno foi em 2020, pois Amazonino teve 21,5% e Davi obteve 20,1%. A maior diferença foi em 2008, quando Amazonino chegou a 43,8% e Serafim, que disputava a reeleição teve 21,8%. Outras diferenças razoáveis foram em 1992: Amazonino (37,9%) x José Dutra (23,5%); 2000: Alfredo (45%) x Eduardo (30,3%) e 2012: Artur (38,3%) x Vanessa (18,8%).
Houve viradas do turno 1 para o 2? Sim, duas vezes. Em 2004, Amazonino venceu Serafim por 41,3% contra 27,3%. No segundo turno, Serafim venceu por 51,6% a 48,4% (válidos). Em 2020, Amazonino, de novo, vencia por 21,5% contra 20,1% de Davi.
Porém, no segundo turno, Davi virou por 51,2% a 48,8% (válidos). Em oito eleições, então, tivemos apenas duas viradas nos dois turnos. Nas outras seis, o primeiro colocado se manteve.
Em apenas uma ocasião, alguém foi para o segundo turno com menos de 20%: Vanessa, em 2012, com 18,8%. Nas outras sete eleições, sempre o segundo colocado obteve mais de 20%.
Os dois que foram com menos votos foram Serafim, em 2008, com 21,8% e Davi, em 2020, com 20,1%. Isso aponta uma certa tendência que merece atenção hoje: quem tem menos de 20% no primeiro turno dificilmente chega no segundo.
E os candidatos oficiais?
Em 1992, Amazonino venceu Dutra, que tinha o apoio de Artur (prefeito) e Gilberto (governador). Alfredo se elegeu em 1996, com apoio de Eduardo (prefeito) e Amazonino (governador). Ele se reelege em 2000, já com a máquina municipal. Porém, Carijó (prefeito) e Eduardo (governador) não conseguiram eleger Amazonino em 2004, perdendo para Serafim.
Posteriormente, o mesmo Serafim não se reelegeu em 2004, perdendo para Amazonino. Artur se reelegeu em 2016, vencendo os dois turnos. Em 2012 e em 2020, não havia um apoio claro a algum candidato, apenas boatos.
Ou seja, em oito eleições, houve duas sem apoio explícito da máquina a alguém e seis nas quais a prefeitura se empenhou por um nome. Nessas seis, em três (1992, 2004 e 2008) o candidato oficial não se elegeu. Em três delas, o nome chapa branca saiu vitorioso (1996, 2000 e 2016).
A eleição com maior número de candidatos foi em 2020 (10 nomes).
A com menor número foi em 1985 (4 nomes).
A tendência seria de elevação: 2006 – 6; 2012 – 9; 2016 – 9 e 2020 – 10. Todavia, se pode esperar que 2024 vá ter algo em torno de 8 candidatos, pois há as federações e elas só podem lançar um candidato. Então, não deveremos ter mais de 8 nomes.
Houve uma polarização clara, no turno 1, em 2000, 2004, 2008, 2016 e 2020, pois o terceiro colocado ficou a mais de 5% dos votos do segundo. Porém, em 1992, Nonato Oliveira obteve 20,3% contra 23,5% de Dutra. Em 1996, Gilberto ficou com 25,4%, enquanto Serafim obteve 27,3% e Henrique Oliveira conseguiu 15%, em 2012, contra 18,8% de Vanessa.
A polarização é uma regra, mas pode haver exceções, pelo que vemos nesses anos. Enfim, esses foram alguns números sobre a história das eleições municipais.
Deles, podemos tirar algumas regras, como a de que é preciso chegar a 20% para se ir ao segundo turno, que podem servir de alerta aos atuais candidatos. É esperar pelos próximos cenários…