segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Entre a vida e a arte de uma mulher na produção artística Amazonense

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Artista, Atriz, Produtora e Pesquisadora. Formada em Licenciatura Plena de Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas – UEA.

Desde criança, ouvi que nós mulheres precisamos aprender sobre a forma de sentar pra não mostrar o fundo. Estar de saia ou vestido, tendo que lidar com a menstruação que sempre pode vir no momento que não estamos esperando, seja sobre o fluxo de sangue ou as emoções afloradas, as cobranças de ser mãe, de se casar, cuidar do seus e de você mesmo, já que é você que cuida de todo mundo.

Afinal, ter a arte de cuidar. Crescendo e aprendendo com todas essas demandas de ser mulher. Me descobri em 2016, sendo produtora dentro da Universidade do estado do Amazonas – UEA, no curso de Teatro. Tendo que aprender na prática sobre negociação, logística, calendários, relacionamentos…

Tudo começou com o projeto Arte e Comunidade que acontecia na comunidade PROSAMIN, localizada ao lado da UEA, na unidade Escola Superior de Artes e Turismo – ESAT. Precisávamos de crianças para participar das aulas que iríamos ministrar na referida comunidade, então, tomei a frente para entrar em contato com os responsáveis e todos os trâmites necessários para fazer acontecer.

Bom essa foi minha primeira experiência, que me deu o start para depois participar como produtora de mostras de Teatro, Festivais, Espetáculos de artistas independentes dentro e fora da Cidade de Manaus, desde então não parei com a produção dentro e fora da universidade, tenho comigo diversas experiências de produção, depois de aprender que a produção é alguém que faz acontecer, recordo “como minha mãe e a vovó fazia tudo acontecer dentro de casa”, isso me lembra “Bora Bora produção”.

Muitas vezes durante a atividade de um evento, você se vê só e tenta se multiplicar, essa é a realidade de uma produtora independente, como acontece com uma mãe solo, a cada instante a gente vai se adaptando e se reinventando para ocupar lugares por muito tempo a negado.

A produção é uma arte de fazer com que algo saia do papel, com que aquilo que almejamos se realize, a mulher por muitas vezes conhecida por falar demais, tem uma arma poderosa para oficializar e fechar muitos negócios, eu posso dizer particularmente que nasci com o dom de me expressar muito bem, mamãe dizia que tínhamos que aprender a entrar e sair de qualquer lugar, ela dizia “tenha diplomacia” isso me trouxe uma vantagem para produzir com facilidade e também para aprender na prática, inclusive em 2021 realizei um projeto chamado “Produção na Prática” com entrevistas através de live no instagram com três pessoas que trabalham com produção na cidade de Manaus, Jaqueline Ferreira, João Fernandes e Taciano Soares.

Quero destacar aqui a entrevista que fiz com a Jaqueline Ferreira, a conversa foi norteada por três perguntas: O que influenciou para ser produtora? Quais as atividades desenvolvidas por essa produção? Quais as características de uma produtora? As respostas da entrevistada foi que a necessidade de fazer o que precisava ser feito deu o start para ela começar a produzir, e que começou a pesquisar sobre o assunto e a prática em realizar os eventos e atividades propostas foi lhe aperfeiçoada, Uma produtora precisa sempre tem a consciência de que tudo que precisa fazer, as necessidades do artista que vai estar no palco, as operações técnicas necessárias, sobre as características para uma boa produção é ser generosa e tem uma boa visão do projeto que está envolvida saber que pode fazer  acontecer, precisa acreditar no que está trabalhando.

Fazendo uma analogia entre o papel de ser mulher e de ser produtora, traz uma força gigantesca, o quanto que somos durante muito tempo na vida fazendo e tendo mil e uma das facetas, a mulher na produção traz a garra, a experiência e vontade de fazer acontecer. Diante tantas demandas a gente sabe lidar, a gente aprendeu desde de muito cedo tem que fazer acontecer, as dores de cólicas, de ser a pessoa mais frágil não termos nada, a gente consegue ir adiante mesmo com muita gente querendo nos desmotivar a nossa veemência de ir à luta, o que gerou uma marca de roupa produzir várias camisetas com frases: ‘Lute como uma garota” e “Produza como uma garota”. Usei uma camiseta dessas em uma das produções mais significativas que fiz pelo interior do Amazonas com Espetáculo Preciso Falar de Daniely Lima, circulamos por oito municípios (Novo Airão, Maués, Itacoatiara, Nova Olinda do Norte, Manacapuru, Autazes, Careiro da várzea e Iranduba). Foi uma experiência única, trabalhando com o custo amazônico, onde não termos estradas comuns, mais estradas pelos rios e destaco para uma equipe de 5 pessoas majoritariamente feita por Mulheres; Daniely Lima – Atriz e Dramaturga, Kelly Vanessa – Produção, Andreza Afro Amazônica – Provocadora Cênica e a Fotógrafa – Laryssa Gaynett e Jean Palladino – Diretor e Dramaturgo.

É um espetáculo que fala sobre a solitude e a vivência de uma mulher negra diante dos vários espaços que ela ocupa, quais são os tamanhos deste espaço a ela direcionado. Nesse cenário, a atriz traz relatos reais sobre essa questão muito atual, sobre os espaços a nós concedidos.

Quando trago no início deste texto sobre os afazeres domésticos e todo os estereótipos de como uma mulher deve ou pode se comportar, não quero aqui reforçar como Djamila Ribeiro no seu livro Quem tem medo do feminismo negro? diz “são estereótipos que têm por finalidade nos manter no lugar que a sociedade racista determina” , penso que precisamos usar toda essa vivência de exigência que a sociedade há tanto tempo nos obriga a executar para nos fortalecer a estar e permanecer em lugares que eles não querem nos ver.

*O conteúdo é de responsabilidade do autor e não expressa, necessariamente, a opinião do RealTime1.

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