quarta-feira, 23 de setembro de 2026

E o voto, vale a pena votar?

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Mestre em Ciência Jurídica, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep) e professor de Direito Eleitoral.

No dia 14 de fevereiro é comemorado o Dia da Amizade no Brasil. Estudos recentes, inclusive da respeitada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, informam que cultivar boas amizades ao longo dos anos pode prevenir doenças e, além de tornar a vida mais feliz pode aumentar a longevidade em até 10 anos.

Não sei se viverei dez anos a mais, uma vez que não sei quantos anos estava determinado para eu viver, mas gosto de encontrar com os amigos, especialmente aqueles que não encontro há muito tempo, procuro deixar que percebam o quanto senti falta; faço uma festa.

E foi assim que outro dia encontrei uma querida amiga. Só que, antes que eu pudesse falar qualquer coisa ela me abraçou e disse com muita ênfase:

“Rapaz que negócio é esse de votar. Não tem como me liberar disso não? Se eu encontrasse o Getúlio Vargas dava uns tapas nele, não foi ele que deu o voto às mulheres em 1992?”

Fui pego de tanta surpresa que, nos primeiros momentos não consegui dizer nada; nem um oi!.Levei alguns minutos para me recuperar do susto e conseguir dizer alguma coisa.

Por muito tempo aquilo ficou martelando em minha cabeça: Como pode uma mulher, com formação superior, servidora pública, não querer votar? É verdade que já ouvi muitas reclamações em razão da obrigatoriedade do voto; mas alguém pertencente a um grupo que foi calado durante tanto tempo, não querer votar!

Uma eficaz maneira de excluir alguns grupos, é vedar-lhe o direito ao voto, tanto assim é, que tão logo a Suprema Corte Norte Americana reconheceu o direito de voto aos negros, alguns Estados vedaram o direito de voto ao analfabeto; era uma maneira de impedir os negros de votarem.

E por que impedir os negros de votarem? Porque no momento em que eles pudessem votar, elegeriam representantes negros que iriam produzir leis que resguardasse os direitos deles.

Sem o voto, não há cidadania. Sem cidadania plena, não há democracia. Sem o voto, não há povo soberano. Portanto, é evidente que o primeiro instrumento de exercício da soberania popular, é o sufrágio eleitoral.

Depois de todas essas reflexões, tive que me render: “Boas amizades fazem bem à saúde”.

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