quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Breves anotações sobre o debate e a pesquisa

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Gilson Gil é sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Dois fatos estão marcando a campanha, nos últimos dias: o debate na TV Norte e a pesquisa Quaest/Tv Amazônica.

Sem me alongar muito nas análises, creio ser interessante emitir algumas breves impressões pessoais sobre esses dois fatos políticos.

Primeiramente, o debate. De forma geral, foi bem mais nervoso e disputado do que o primeiro. Os adversários se provocaram, se ofenderam, se criticaram e partiram, várias vezes, para o lado pessoal.

As propostas foram aquelas que já vêm sendo repetidas nas redes sociais e nos programas oficiais Aliás, sugiro a quem tiver paciência para isso que leia os programas. Quem fizer esse exercício verá que muito do que falam nas mídias sociais e nos debates (e, provavelmente, falarão no horário eleitoral) já está dito por lá.

Porém, justamente os lances mais emocionantes vieram dos ataques pessoais. Uns sendo chamados de laranja, outros, de marionete, só para dar o tom do debate.

Olhando de forma mais detalhada, senti Amom mais nervoso e irritadiço, buscando provocar os adversários, especialmente Wilker, Cidade e o capitão. Marcelo tentou se mostrar alheio às brigas, usando de sua experiência, repetindo sempre que Lula construiu Manaus (só faltando dizer que descansou no sétimo dia), sem fugir de seu roteiro. O capitão insistindo em ser a “direita verdadeira”, que é aliado de Bolsonaro e que irá acabar com a bandidagem em Manaus.

Por outro lado, Gilberto repetia que a culpa de tudo é o capitalismo e que os conselhos populares irão resolver isso. Cidade se atrapalhava nas ideias e na dicção, repetindo as mesmas propostas e se esquivando das críticas ao governador. Wilker falou de propostas, mas seus momentos mais marcantes acabaram sendo na briga por títulos acadêmicos com Amom.

No geral, se via muita tentativa de “lacrar”, criar memes que pudessem ser editados e colocados nas redes sociais. Pouca disposição de aprofundar ideias ou falar de orçamento. Nesse sentido, pode-se dizer que as redes sociais, com sua linguagem rápida e de frases curtas e impactantes, contaminou o debate inteiramente, pois era claro que todos falavam já pensando no que botariam no Instagram minutos depois.

E o prefeito? David faltou, como sempre os líderes nas pesquisas fazem. A emissora deixou uma cadeira vazia e os adversários o criticavam repetidamente. Isso tira votos? Dá votos? Evita os ataques de todos? Enfim, é algo que só as pesquisas e a eleição podem dizer.

E a pesquisa? Ela caminhou no sentido das outras que vieram sendo divulgadas nos últimos dez dias. Pode-se falar que todas estão vendo “o mesmo jogo”.

David está se isolando, na casa dos 30%, aproximadamente. Parece estar se delineando um bolo de competidores mais atrás. Amom, Cidade e o capitão estão se embolando em uma faixa que vai dos 14% aos 19%, com variações.

Depois, vemos Marcelo, que segue na faixa dos 5%. Finalmente, Wilker e Gilberto disputam a “lanterna”, no segmento do 1%, oscilando.

E agora? Antes de tudo, vemos a briga instalada na luta pelo segundo lugar. A queda de Amom é lenta, mas consistente. Cidade e o capitão aproveitaram isso e subiram, mas pouco. Os três precisam chegar aos 20% para pensar em ir ao segundo turno. Essa é a marca histórica dos adversários que passam de turno (com uma exceção em 2012, quando um candidato passou com 19%).

Marcelo esbarra numa rejeição grande e empedernida. O apelo a Lula não surtiu o efeito desejado, assim como seu estilo “brigão” inicial também não gerou resultados palpáveis. Agora, numa fase mais “paz e amor”, falando de “missão e gratidão”, talvez obtenha sucesso, mas as pesquisas não o demonstram.

E David? Ele persegue um estilo “operário/minimalista”, visitando obras e asfaltamento de ruas. Evita disputas ideológicas, o que está mostrando ser algo bom, sem entrar abertamente na briga Lula x Bolsonaro. Vai à Igreja, louva o sábado, corre aos domingos e diz que a religião é a base de sua trajetória. Por ora, isso vem dando certo e já chegou na marca dos 30%, ou seja, a cada três eleitores, um diz que irá votar nele. Isso o está, por enquanto, garantindo no segundo turno.

Ninguém, até o momento, indica que vencerá no primeiro turno. É quase certo que iremos ter dois turnos. Provavelmente, entre David e outro. A briga, agora, é saber quem.

Nos próximos dias, e o horário eleitoral mostrará bem isso, veremos um conflito figadal entre os oponentes restantes, em busca desse segundo lugar. É aguardar os próximos movimentos.

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