domingo, 25 de outubro de 2026

Amazonas: de onde se e tira e não se põe

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Poeta, jornalista e membro da Academia Amazonense de Letras.

A polêmica originada na intenção do governador Wilson Lima, de cobrar pagamento de royalties e outras compensações pelo uso do nome Amazon em produtos e logomarcas no mercado global, não precisaria de tantos holofotes, memes e comentários aleatórios, se o Amazonas e a Amazônia estivessem há mais tempo nas preocupações desses piadistas de plantão.

E se o próprio Brasil e o Estado do Amazonas e as outras oito unidades federativas que compõem a região fossem mais atentas com o que se passa com os seus territórios e suas culturas.

No entanto, a cobrança não é uma excentricidade – uma pavulagem na interpretação da indústria criativa de Parintins – do governador do Amazonas, que é paraense (e o Par mimá não está a cobrar nada por isso). 

O próprio Lima recompôs sua fala, retirando dela a interpretação meramente rentista, porque a questão não é meramente essa. “O Brasil questiona, atualmente, cerca de 20 casos de patenteamento de nomes tipicamente nacionais por outros países”, revela o repórter Lourenço Canuto, da Agência Brasil.

O açaí, cujo nome foi patenteado por uma empresa japonesa (o fruto nativo da Amazônia só poderia ser exportado por brasileiros com autorização dessa empresa), compõe um rico elenco cobiçado: andiroba, copaíba,cupuaçu, espinheira-santa, entre outros – o Japão já estaria produzindo e comercializando o “cupulate”, derivado adivinhe-se de que fruta amazonense, originária do rio Negro.

Até a ayahuasca, bebida usada nos rituais do Santo Daime e da União do Vegetal, dentro e fora do Acre e do Amazonas, estão no foco do interesse estrangeiro.

“A gente não quer royalties, não quer pix. O que a gente quer é parceria”, disse o governador Wilson Lima ao jornal O Globo (sábado, 2), articulando melhor seu discurso. E na mesma reportagem do jornal fluminense, a Amazon anunciou investimentos no Pará e no Amazonas, “para alcançar o desmatamento ilegal zero, criando o maior sistema de rastreabilidade do mundo”.

O que significa isso?

Segundo a divulgação da Belzos Earth, em parceria com a The Nature Conservancy, Imaflora, Earth Innovation Institute, Aliança da Terra “podemos rastrear carne, rastrear, lacticínios e couro para eliminar a desflorestação  das cadeias de valor e trazer incentivos florestais positivos para criadores”.

Galhofas na internet, às vezes, são um tiro no pé de quem não tem compromisso com a seriedade do riso. Afinal para rir basta ter os dentes. Mas para fazer rir é preciso muito mais do que um conjunto de dentaduras. Com menos açodamento e mais conhecimento dos interesses em jogo na retórica da COP20, os interesses amazonenses estarão melhor protegidos.

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