Pesquisas eleitorais se tornam tema de destaque no período pré-eleitoral, sendo amplamente divulgadas. Para termos uma ideia, apenas considerando os meses de setembro e outubro de 2024, houve 71 registros no TSE de pesquisas de intenção e votos nas eleições municipais de Manaus, mais que o dobro do mesmo período de 2020, quando foram registradas 34 pesquisas (https://pesqele-divulgacao.tse.jus.br).
Esse fenômeno da popularização das pesquisas provoca debates acalorados, que vão desde a esperança de que um ou outro candidato seja de fato eleito, como indicam algumas pesquisas, até a desconfiança em relação aos resultados apresentados.
Passadas as eleições, a produção de estudos e pesquisas sobre as opiniões dos cidadãos cai vertiginosamente, quando passamos a ter uma ou outra divulgação esporádica. Por exemplo, depois da avalanche de pesquisas que observamos até outubro, tivemos recentemente a divulgação das intenções de votos para as eleições presidenciais de 2026, indicando o favoritismo do atual presidente, Lula, e a ascensão de nomes até então sequer cogitados, como o do cantor Gusttavo Lima.
Independentemente da visão que se tenha das pesquisas, uma coisa é certa: por meio delas que podemos nos aproximar de um melhor entendimento sobre como pensam os cidadãos brasileiros, quais são seus anseios em relação à gestão da coisa pública e em que direção caminham os desejos e preocupações da maioria.
Essa utilidade se torna mais clara ainda quando olhamos para a diversidade de temas que podem e devem ser pesquisados. Em geral, são assuntos que tem impacto direto na vida dos cidadãos, embora as decisões a respeito se deem nos escritórios dos gestores e representantes da população. Nesse contexto, as pesquisas são a voz da vontade popular que se faz presente no debate público.
Vejamos, por exemplo, o debate acerca da mudança da escala de trabalho. Pesquisa conduzida pelo DataSenado em 2024 revelou que 54% dos brasileiros acreditam que uma carga horária menor melhoraria a qualidade de vida dos trabalhadores, principalmente devido aos efeitos positivos na saúde mental.
Além disso, 73% dos entrevistados defendem que o governo deveria oferecer incentivos às empresas que adotassem a semana de trabalho de quatro dias (www.senado.leg.br/datasenado). Já o Datafolha, em levantamento semelhante, apurou que 64% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 (https://datafolha.folha.uol.com.br).
Esses números mostram que há o desejo da população em debater o tema e realizar mudanças a respeito. Mostram, também, que os números podem e devem ser destrinchados, contando, na medida do permitido pela melhor técnica, a opinião dos vários segmentos populacionais envolvidos, como empregados, empregadores, autônomos, dentre outros.
Já existem diversos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional a respeito, cabendo aos nossos legisladores aliarem ao debate técnico e profundo, a ausculta da voz do povo, que se manifesta, principalmente, por meio de pesquisas como as exemplificadas acima.
O impacto das fake news nas nossas vidas é outro tema de grande relevância nacional que já conta com algumas pesquisas. O Instituto Locomotiva, por exemplo, apontou que quase 90% dos brasileiros já acreditaram, em algum momento, em conteúdos falsos, embora 62% acreditam serem capazes de distinguir notícias falsas de verdadeiras.
Já o DataSenado, em pesquisa sobre o mesmo tema, revelou que 31% dos brasileiros acreditam que quem compartilha notícias falsas quer mudar a opinião dos outros, enquanto 30% acreditam que as notícias falsas são compartilhadas por desconhecimento sobre sua veracidade. Essas vertentes de pensamentos, facilmente detectadas em pesquisas de opinião, ajudam a destacar a importância de, no mínimo, debater o tema com seriedade e, eventualmente, decidir os caminhos que o país deve seguir na tratativa das fake news.
Os exemplos acima nos mostram que, para além do período pré-eleitoral, as pesquisas desempenham um papel crucial na compreensão das dinâmicas sociais e políticas do Brasil.
Elas não apenas refletem os anseios e preocupações da população, mas também orientam o debate público e as decisões dos gestores e legisladores. Portanto, é essencial que continuemos a valorizar e investir na realização de pesquisas de qualidade*, garantindo que a voz do povo seja ouvida e considerada em todas as esferas de decisão.
* Falaremos em artigo futuro sobre o que faz uma pesquisa ter ou não qualidade.
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