Recentemente, fui abordado por um repórter de um importante veículo de imprensa local para compartilhar minha opinião sobre as obras realizadas pela concessionária do Aeroporto Internacional de Manaus, Brigadeiro Eduardo Gomes. A concessionária está “reorganizando” os espaços do terminal devido ao baixo volume de passageiros que o aeroporto recebe atualmente.
Essa análise não é simples, pois envolve diferentes perspectivas sobre essa infraestrutura pública, abrangendo tanto aqueles que utilizam o aeroporto diretamente quanto os que são indiretamente impactados pelas operações aeroportuárias.
O Ministério do Turismo, em sua publicação “Programa de Regionalização do Turismo: módulo operacional 1 (MTur, 2007)”, define infraestrutura turística como o conjunto formado por obras, instalações de estrutura física e serviços indispensáveis ao desenvolvimento do turismo e existentes em função dele. Por essa definição, portos, aeroportos e rodoviárias são considerados equipamentos turísticos.
Primeiramente, é essencial avaliar a viabilidade econômica do aeroporto. Como se trata de uma concessão privada, o aeroporto deve ser entendido como um empreendimento. O ajuste da infraestrutura interna em função do volume de passageiros é crucial para manter sua saúde financeira e garantir a manutenção dos serviços dentro dos padrões de qualidade esperados de um aeroporto internacional, além de atrair novos investimentos.
Também é importante lembrar que o aeroporto não atende apenas aos turistas, mas também à população da capital e do estado. Ele é o principal ponto de entrada e saída de pessoas, e seu movimento vai além dos passageiros, englobando aqueles que acompanham os viajantes e inúmeros empreendedores que dependem do fluxo de passageiros para sua subsistência.
Décadas atrás, o aeroporto de Manaus já foi um ponto de encontro para a população manauara, que o frequentava para passear, apreciar a vista do pátio de aeronaves e usufruir dos serviços de alimentação. Considerando essa história, talvez seja interessante resgatar essa função social do aeroporto, reimaginando o uso de seus espaços. Atualmente, o antigo terraço, que oferecia uma ampla vista do pátio de aeronaves, foi substituído por uma área com pouca visibilidade, especialmente à noite.
Quanto à infraestrutura, sou um usuário frequente do aeroporto em voos regionais e percebo que a sala de embarque está no limite em horários de pico, com pouco espaço para filas e escassez de assentos. Apesar do fluxo geral ser baixo, ele se concentra em horários específicos, o que já evidencia a necessidade de reconfiguração desse espaço.
Na área de desembarque e restituição de bagagem, o espaço é amplo, mas carece de conforto. Há poucos assentos disponíveis, e os banheiros não atendem à demanda de voos maiores, por exemplo.
O saguão do subsolo, em frente aos desembarques, também oferece pouco conforto para aqueles que aguardam a chegada dos voos. Encontrar um assento confortável é uma questão de sorte. Além disso, os caixas eletrônicos estão concentrados no piso superior, os totens de pagamento do estacionamento são insuficientes, e a área externa é caótica, com pessoas se aglomerando à espera de transporte e um trânsito desorganizado.
Esses pontos afetam diretamente a qualidade do serviço oferecido. E a qualidade é crucial em um aeroporto internacional. Investimentos e readequações são necessários, mas devem ser feitos de forma inteligente, abordando os pontos mais críticos da infraestrutura. Um ambiente organizado e confortável pode, inclusive, atrair novamente a população para consumir no local, favorecendo economicamente o empreendimento e incentivando novos investimentos.
Reduzir espaços agora pode ser uma medida necessária, mas deve ser feito de forma estratégica. É preciso ter uma visão de longo prazo, considerando o crescimento do fluxo de passageiros e a expectativa de que nosso estado receba mais visitantes no futuro.
Por fim, a responsabilidade pela qualidade do aeroporto não recai apenas sobre a Vinci Airports, mas deve ser uma questão de Estado, buscando uma coalizão de ações e investimentos que garantam a viabilidade e o crescimento contínuo do nosso aeroporto.
Além disso, há outros pontos relevantes sobre o serviço de transporte aéreo na capital, como a não utilização do Terminal 2, conhecido como ‘Eduardinho’, e o Aeródromo de Flores (Aeroclube), atualmente administrado pela INFRAERO. Trata-se, de fato, de uma temática abrangente, com muitas inter-relações sociais e legais. É um assunto que necessita de discussão pela sociedade.