domingo, 1 de novembro de 2026

A estruturação de Comunidades de Práticas em prol da Bioeconomia

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Doutor e Mestre em Engenharia de Produção pela USP com pós-graduação em Marketing pela ESPM. Consultor nas áreas de Gestão de Projetos, Gestão da Inovação, Gestão do Conhecimento, Capital Intelectual, Gestão de Pessoas e Lições Aprendidas.

Conceito estruturado a partir de pesquisas desenvolvidas, principalmente, pelo pensador suíço Etienne Wenger, a comunidade de prática consiste no agrupamento de pessoas que possuem propósitos ou temas de interesse em comum, tendo em vista promover encontros regulares através dos quais há o compartilhamento de práticas e conhecimentos, sobretudo aqueles construídos por conta de experiências anteriores vividas ou testemunhadas pelas mesmas.

Inserida no universo da gestão do conhecimento, cujos conceitos estão diretamente associados com a criação, registro e compartilhamento de ativos de conhecimentos presentes nas organizações, a comunidade de prática tem ganhado, cada vez mais, maior relevância como uma iniciativa que pode colaborar de forma efetiva e eficiente na inserção do conhecimento como requisito diferencial para que as organizações possam alcançar seus intentos estratégicos e resultados operacionais.

Dentro do arcabouço de oportunidades que podem ser consideradas, o mapeamento dos profissionais que compõem os diversos processos vigentes nas empresas consiste em um importante passo inicial, uma vez que a partir dele é possível identificar os colaboradores e respectivos conhecimentos nas diversas estruturas organizacionais presentes em uma organização. Entende-se, no entanto, como importante premissa a ser considerada neste intuito a crença de que o conhecimento tem esta relevância quando é devidamente aplicado, o que faz dele uma competência e por conseguinte um ativo de impacto direto em prol do atendimento dos objetivos de uma organização.

Sua estruturação demanda a adoção de uma série de ações que permitam tornar efetivas e produtivas as trocas almejadas pelos seus participantes. A definição de um propósito, por exemplo, é a primeira delas, pois permite a estruturação de indicadores de acompanhamento, requisito essencial no gerenciamento de qualquer processo. Pois é, a comunidade de prática demanda a existência de processos muito bem definidos.

Ao considerarmos a abrangência da região amazônica, onde beira o infinito a quantidade de conhecimentos e saberes tradicionais presentes em integrantes que compõem as comunidades locais e povos ribeirinhos no uso, principalmente, de insumos oriundos das florestas, práticas de manejo, colheita, plantio e até mesmo de logística, dentre tantas outras, a estruturação de iniciativas que envolvam a implantação de um programa de Comunidades de Práticas pode ser compreendida como uma ação com grande potencial em conseguir, em relativo curto espaço de tempo, o resgate, o registro, o aperfeiçoamento e a disseminação de conhecimentos capazes de gerar riqueza econômica não somente para a região, mas para toda a cadeia produtiva desses insumos e seus respectivos stakeholders.

Ao que parece, o conceito destacado por Peter Drucker, ainda nos anos 1960 do século passado à respeito da sociedade do conhecimento, aquela pautada por seu uso como principal recurso econômico e social, pode ser adotado como requisito central de práticas que permitam transformar a região amazônica como a maior provedora de conhecimentos multidisciplinares em prol da geração de riquezas a partir do uso de dados e informações relacionados para a criação de produtos, processos e serviços sustentáveis, promovendo pleno alinhamento entre o crescimento económico e a conservação ambiental, entre outras palavras, a bioeconomia.

Ainda mais desafiador e, igualmente, prazeroso saber, que inúmeras iniciativas de diversas naturezas promovidas por diferentes instituições, já têm sido colocadas em práticas, o que, além de permitir a visão de que coisa alguma começará do zero, indica uma maior clareza e horizonte de sucesso no atendimento de propósitos e objetivos audaciosos.

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