Revogar decretos, reinstalar conselhos, retomar a fiscalização ambiental e combater a invasão de garimpeiros em terras indígenas são algumas das 62 medidas emergenciais que o próximo presidente eleito deve tomar ainda nos primeiros cem dias de governo, segundo proposta lançada nesta quinta-feira (19) pelo Observatório do Clima, formando por ONGs, rede que reúne 73 organizações socioambientais.
O documento parte da premissa de que o atual governo não deve ser reeleito. “Todas as ações listadas são factíveis e podem ser realizadas por um governo que esteja disposto a conduzir o Brasil a um desenvolvimento seguro e competitivo –assim que o regime de Jair Bolsonaro for suplantado nas urnas”, diz o relatório. “Com Bolsonaro não há futuro para a política ambiental no Brasil”, enfatiza o texto.
O documento foi entregue aos principais pré-candidatos ao Planalto, com exceção do atual presidente.
Sob o título “Brasil 2045 – Construindo uma potência ambiental”, o documento propõe que o Brasil possa antecipar em cinco anos a meta global de zerar as emissões de gases estufa, prevista por países e organizações de todo o mundo para ser atingida em 2050.
O plano foi elaborado com base em consultas às 73 organizações que compõem a rede e coordenado por Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima. Ela presidiu o Ibama na gestão anterior à de Bolsonaro.
As propostas citam a implementação de políticas existentes e sua ampliação em oito áreas: política climática e acordos internacionais, combate a desmatamento, bioeconomia, justiça climática, energia, biodiversidade, indústria e, finalmente, governança e financiamento.
Texto: Ana Carolina Amaral/FolhaPress
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