quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Nova Câmara reconfigura centrão, e Lira age para tentar se manter no poder

Após PL eleger quase 100 deputados, PP de Arthur Lira aposta as fichas na reeleição de Bolsonaro na tentativa de preservar seu atual poder no governo e dentro do centrão.
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Após o PL de Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro eleger quase 100 deputados federais e se tornar a maior bancada da Câmara, o PP de Arthur Lira (AL), presidente da Câmara, e de Ciro Nogueira (PI), ministro da Casa Civil, aposta todas as fichas na reeleição do presidente da República na tentativa de preservar seu atual poder no governo e dentro do centrão.

Isso explica, segundo interlocutores, a ofensiva liderada por Lira para criminalizar institutos de pesquisa do país sob argumentos, sem comprovação, de que haveria manipulação de resultados para enganar os eleitores.

Os ataques contra os institutos são pauta prioritária do presidente Jair Bolsonaro.
Em paralelo, o PP tenta engrossar a bancada somando-se à União Brasil, que teve 59 deputados eleitos.

O PP teve o pior desempenho geral entre a tríade do centrão -também formada pelo PL e pelo Republicanos– na eleição para deputado federal de 2022.

O partido perdeu 11 assentos na Câmara em comparação com a bancada atual, saindo de 58 para 47. Considerando a mesma base, o PL saltou de 76 para os atuais 99 eleitos. O Republicanos, de Marcos Pereira, caiu de 44 para 41.

O resultado deixou o PP em desvantagem em relação aos outros dois colegas da base de Bolsonaro, em especial quando se analisam outros dados das eleições. O PL elegeu oito senadores, frente a três do PP e dois do Republicanos.

Nos estados, a situação atual também é desfavorável ao PP. O partido de Bolsonaro elegeu Cláudio Castro no Rio de Janeiro e tem a possibilidade de conquistar mais quatro estados, entre eles Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O PP ganhou os governos de Acre e Roraima, enquanto o Republicanos é favorito para levar São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.

Para Lira, o resultado do segundo turno tem um papel crucial em seu futuro na Câmara. Mais votado deputado de Alagoas, feito amparado pela distribuição das chamadas emendas de relator -recursos públicos destinados a políticos alinhados com o governo-, o parlamentar tem como principal entrave à sua reeleição justamente uma possível vitória de Lula.

Se Bolsonaro for reeleito, uma recondução de Lira para chefiar a Câmara é praticamente certa, de acordo com parlamentares. Ele foi eleito em fevereiro de 2021 com ajuda do governo, que prometeu cargos a congressistas e acenou com a liberação de recursos de emendas parlamentares em troca de apoio.

Uma vitória de Lula mudaria esse cenário. Os dois políticos têm trocado farpas, em especial quando o petista reitera sua promessa de acabar com as emendas de relator.

Antes de tomar uma decisão, Lula teria que ponderar sobre sua força política para comprar briga com Lira, inimigo a ser evitado no Congresso.

No Senado, a situação muda um pouco de figura. O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também eleito com apoio de Bolsonaro, tem retardado a tramitação de dos projetos aprovados por Lira de forma açodada na Câmara.

Com a maior bancada no Senado, o PL de Bolsonaro poderia indicar um nome mais alinhado a seus propósitos em caso de reeleição do mandatário. Além disso, despontam os das ex-ministras Tereza Cristina (PP) e Damares Alves (Republicanos).

Existe uma avaliação, no entanto, de que uma reeleição de Bolsonaro levaria os parlamentares a manterem pelo menos uma Casa afastada da influência do Executivo, o que reforçaria a possibilidade de vitória de Pacheco em fevereiro. O senador mineiro também contaria com o apoio de Lula.

Fonte: Folhapress

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