quarta-feira, 23 de setembro de 2026

No Amazonas, 73% das mulheres já sofreram violência em ambientes acadêmicos

Do total de 1.116 pessoas pesquisadas, 38% afirmam ter sofrido algum tipo de violência no ambiente acadêmico.
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Amazonas teve 122 homicídios de mulheres em 2023 e aparece com a 2ª maior taxa do país. (Foto: Divulgação/Fapeam)

Uma pesquisa revelou que 73% das vítimas de violência nos ambientes acadêmicos, são mulheres. A pesquisa realizada com aproximadamente 1.116 pessoas entre acadêmicos, professores, técnicos e terceirizados, apontou que 38% desse total, ambos os sexos, nas Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Federal do Amazonas (Ufam) e do Instituto Federal do Amazonas (Ifam), abrangendo unidades da capital, afirmam ter sofrido algum tipo de violência no ambiente acadêmico nos últimos cinco anos. 

Entre os registros de violência sofridos por mulheres, está o assédio moral e sexual, estupro, racismo, xenofobia, homofobia e transfobia. A pesquisa foi realizada através de formulários virtuais com o objetivo de analisar a prática da violência, principalmente contra as mulheres, para entender quais são as particularidades das violências nas universidades públicas do Amazonas.

A pesquisa também buscou identificar as principais expressões de violências utilizadas nesses espaços. O estudo foi realizado de 2019 a 2021 no âmbito do Programa Universal Amazonas, da Fapeam, e contou com parcerias da UEA, Ufam e Ifam. 

Para o especialista em segurança pública, Júlio Hott, as violências em espaços públicos acontecem de forma velada, então estudar esse tipo de situação é importante para melhorar as políticas públicas do local.

“Essa pesquisa, ou melhor, o resultado dessa pesquisa é muito importante para direcionar uma análise criminal com políticas públicas para tentar diminuir essa violência que certamente é uma violência sentida pelos que estão nessa vida acadêmica.”

“E pode melhorar uma política pública direcionada para isso. E uma pesquisa certamente demonstra essa violência. Uma violência que até então era mantida de forma velada, de forma oculta”, destacou o especialista. 

Os resultados da pesquisa possibilitaram identificar a violência ocorrida em ambos os sexos, apesar de que o sexo feminino acaba sendo a maioria. 

“Esse trabalho de pesquisa é importante também quando aponta essas diferenças e a violência causada dessas diferenças principalmente sobre as mulheres que pelo menos fisicamente é hipossuficiente em relação ao homem.”

“Isso gera também uma possibilidade de violência. Embora a mulher intelectualmente, psicologicamente, mentalmente seja igual ou até melhor do que o homem, mas fisicamente em regra geral ela é hipossuficiente”, concluiu.

Os resultados da pesquisa conduziram à elaboração de artigos, debates em eventos científicos sobre a violência contra mulheres nas universidades, bem como à produção de uma cartilha, um pôster e um livro abordando diversos artigos relacionados ao tema.

Daniela Gomes, do Brasil 61

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