Um dia após barrar a aprovação do projeto de diversificação da LG Eletronics durante reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS) da última quarta-feira (28), o secretário de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, disse que vai articular tratativas com a multinacional sul-coreana para ampliar o número de empregos previstos na planta de Manaus.
O anúncio foi feito pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), durante live realizada nas redes sociais na noite de quinta-feira (29).
“Hoje [quinta-feira], pela manhã, eu falei com o Carlos da Costa para entender o que estava acontecendo. E ele disse que vai ter tratativas com a empresa no sentido de aumentar a quantidade de empregos que serão gerados pela LG; e que o projeto constará na pauta da próxima reunião do CAS. É importante dizer que esse projeto já tem a aprovação de todos os técnicos”, destacou Wilson Lima.
O posicionamento intransigente do Ministério da Economia ignora o apelo de parlamentares e representantes industriais do Estado que pedem a imediata aprovação do projeto, pode gerar insegurança jurídica e prejudicar a atração de novos investimentos no Polo Industrial de Manaus (PIM). Além disso, contraria os pareceres prévios do corpo técnico da Suframa e dos próprios membros do CAS, que recomendavam a aprovação.
Para justificar a retirada do projeto da pauta da reunião de quarta-feira, Carlos da Costa alegou que o número de empregos projetados pela LG (68) era baixo em relação à renúncia fiscal prevista.
Critério não é o mais adequado
Na ocasião, o critério utilizado pelo representante do Ministério da Economia foi criticado pelo presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.
Para Périco, a relação gasto tributário/número de empregos não representa a melhor ferramenta para avaliar a efetividade da geração de empregos de um projeto industrial.
“Entendo a preocupação do secretário no chamado gasto tributário com a geração de empregos. Mas, ao se aprovar um projeto, por mais que a geração de empregos pareça ser pequena, ela se dá pela inovação tecnológica que cada vez traz um nível de automação maior e isso representa competitividade. Por trás disso, tem os empregos que são preservados. Ao se aprovar um novo projeto, muito daquela mão de obra que já está no ambiente fabril vai ser preservada pela introdução deste novo produto. Então há uma migração interna”, justificou o empresário.
Codam aprova projeto da LG
Ao contrário do que aconteceu no CAS, o projeto da LG Eletronics que prevê a diversificação da linha de montagem para a fabricação de microcomputadores portáteis e monitores de vídeo no Polo Industrial de Manaus, foi aprovado na quinta-feira (29), pelo Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam).
“A empresa tinha duas plantas (de produção). Uma em São Paulo e outra em Manaus, e decidiu trazer tudo pra cá. Mas, para que ela possa se instalar aqui e receber os benefícios do Amazonas, é preciso que o projeto seja aprovado no CAS, o Conselho de Administração da Suframa, e também no Codam, que é o nosso conselho”, explicou Wilson Lima.
Reportagem: Lucas Raposo
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