O Nobel de Economia em 2013, Lars Peter Hansen defende que a preservação e o reflorestamento da Amazônia dependem de incentivos financeiros globais.
Segundo ele, transferências internacionais podem motivar fazendeiros a trocar a pecuária pelo reflorestamento, ajudando a reduzir as emissões de carbono.
Um estudo coautorado por Hansen e economistas brasileiros sugere que pagar US$ 25 por tonelada de carbono capturado seria suficiente para tornar economicamente viável a restauração de áreas desmatadas.
O valor é considerado baixo se comparado aos custos globais das mudanças climáticas e ao preço do carbono em mercados como o europeu, onde a tonelada chega a US$ 75.
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A proposta será discutida na COP30, que começa em novembro em Belém, com foco em políticas que transformem a Amazônia em instrumento eficaz de mitigação climática.
Hoje, o avanço da agropecuária fez a floresta emitir mais carbono do que consegue absorver, embora ainda armazene uma quantidade equivalente à emitida pelos Estados Unidos desde a Revolução Industrial.
Transferências internacionais como incentivo
Hansen ressalta que não basta apenas dinheiro: é necessário estruturar políticas que ofereçam incentivos reais aos agricultores, garantindo que a mudança no uso da terra seja sustentável e economicamente vantajosa.
O estudo mostra que, com recompensas financeiras relativamente baixas, é possível transformar o uso da terra em áreas degradadas e reduzir o desmatamento.
Essa abordagem combina benefícios ambientais globais com oportunidades econômicas locais, sem ameaçar a subsistência de quem atualmente depende da agropecuária.
A proposta também destaca a importância de engajar o setor privado e entidades especializadas, como ONGs ambientais, para que os recursos sejam aplicados de forma eficiente.
Para o Nobel, o reflorestamento não é uma solução única, mas uma medida estratégica de curto prazo que deve ser combinada com tecnologias limpas e políticas globais mais eficazes.
A COP30 será uma oportunidade para colocar essas propostas em debate e avançar na estruturação de incentivos que protejam a maior floresta tropical do planeta.
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