quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Mulheres na política amazonense: luta e resistência em busca de igualdade

Mulheres da CMM e Aleam falam sobre a política feminina e os desafios enfrentados; representatividade ainda é baixa mesmo com eleitorado feminino sendo maior no AM.
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As mulheres ainda têm dificuldades de ocupar cargos de poder, serem eleitas e ter voz ativa nas tomadas de decisões políticas. Isso é resultado da exclusão histórica das mulheres e que causam a baixa representatividade feminina nos governos e parlamentos.

Com um eleitorado de 1.331.613 eleitores, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados ano passado, Manaus é um exemplo dessa falta de representatividade, pois são aproximadamente 704,2 mil mulheres com direito ao voto contra aproximadamente 627,4 mil homens.

Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), que está em sua 18ª legislatura, o número de representantes femininas não chega a 10%. São apenas quatro vereadoras num total de 41 parlamentares.

A trajetória das mulheres na CMM, de modo geral, é algo recente.

Somente três décadas após a introdução do voto feminino na Era Vargas, em 1932, uma mulher foi eleita vereadora em Manaus. A escolhida, em 1964, foi a professora Léa Alencar Antony, pelo PSB.

Em seguida, a Câmara passou por duas legislaturas sem a presença de uma mulher e, somente em 1977, Otalina Aleixo e Elizabete Azize foram eleitas para um mandato na oitava legislatura.

Vereadoras comentam

Para a estreante no parlamento, Yomara Lins (PRTB), a ausência das mulheres na política formal começa pela exclusão delas nos espaços de decisão e se completa com a falta de incentivo.

O posicionamento é endossado pela colega Professora Jacqueline (Podemos). A vereadora diz que é fundamental que as mulheres ocupem os espaços de poder “para que sejam tomadas decisões que as favoreçam”.

Além das duas vereadoras, a CMM conta ainda com a presença de Glória Carrate (PL) que está em seu sexto mandato consecutivo e é a responsável pela criação da Comissão de Defesa e Proteção dos Direitos da Mulher, além da jovem Thaysa Lippy que, em comemoração ao mês da Mulher, vai apresentar um Projeto de Lei (PL) voltado às mulheres que sofreram agressões domésticas.

“Vou pedir que as empresas com contrato com a prefeitura destinem 5% das vagas de emprego para essas mulheres”, revelou a vereadora.

Casa das cinco mulheres

Com a chegada de Nejmi Aziz (PSD) à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), a Casa chegou ao número inédito de cinco deputadas.

O número ainda é irrisório se comparado ao quantitativo de 24 vagas, número total de parlamentares que ocupam o cargo de deputado estadual na atual composição da Aleam.

“Como mulher é sempre mais difícil. Hoje temos cinco deputadas no parlamento estadual, o que já é um grande avanço, porque na última legislatura eu era a única mulher”, lembrou a deputada Alessandra Campêlo (MDB), ressaltando que ainda há muito a conquistar na política em prol de outras mulheres.

“A mulher traz a pauta feminina, a pauta da família, e traz a pauta da igualdade. Não queremos ser mais que os homens; apenas queremos garantir um direito humano, que é o de exercer nosso trabalho, andar nas ruas sem medo, receber salários em pé de igualdade com os homens. Lutamos para que um dia o feminicídio, o estupro, violência doméstica sejam coisas do passado e não precisemos falar disso no dia a dia”, elencou a deputada.

A nova colega da Casa complementou a fala de Alessandra, destacando que a união das mulhres, em um trabalho coletivo, “revela uma força espetacular para fazer acontecer, sem desprezar o trabalho masculino essencial na política”.

“Acredito no equilíbrio destas forças. Desde o início da história moderna lutamos por igualdade política, direito ao voto, educação, direito a bens familiares e até ao divórcio. Todas essas lutas foram marcadas com a entrada das mulheres no mundo do trabalho”, pontuou Nejmi.

Texto: Rosianne Couto

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