A falta de água potável para consumo em delegacias da Polícia Civil e em Companhias Interativas Comunitárias (Cicom’s) da Polícia Militar entrou na mira do Ministério Público do Estado (MP-AM).
O promotor de Justiça, Iranilson Ribeiro, foi duro ao instaurar um inquérito civil público para apurar o caso. Ele disse que a ausência de acesso a água potável é uma das características que tipificam a condição análoga ao trabalho escravo.
O promotor afirmou, ainda, que a falta de água potável aos policiais civis, militares e também para a população em Manaus, que procura o sistema de segurança para diversos serviços, foi constatada durante uma inspeção do órgão ministerial.
Na inspeção, foi verificado que os policiais civis e militares só têm água para consumo comprando ou enchendo garrafões em poços nas vizinhanças, cuja qualidade da água é duvidosa.
“A despeito de se alegar que o servidor público recebe auxílio alimentação e que poderia facilmente
adquirir água para saciar sua sede, as CICOMS, e especialmente as delegacias, são unidades policiais onde a população procura auxílio diante da ocorrência de um crime e que chega a ser um absurdo imaginar, nos dias atuais, em que há na cidade de Manaus apenas quatro delegacias centrais de flagrante e que qualquer cidadão vítima de um crime contra o patrimônio em que criminosos lhe subtraem seu
dinheiro e demais pertences, sendo obrigado a caminhar por horas a pé até chegar a uma delegacia e lá sequer lhe ser oferecido um copo de água é no mínimo atentar contra o princípio da dignidade da pessoa humana”, explicou o promotor de Justiça em decisão divulgada no diário oficial.
Iranilson Ribeiro solicitou informações da Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar sobre o caso, pedindo dotação orçamentária para aquisição de água potável para o consumo dos servidores públicos e também da população.
A comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) também foi requisitada no processo.
A reportagem do RealTime1 solicitou nota da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), mas até a publicação desta material não houve manifetação.
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