O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, criticou o atual sistema eleitoral brasileiro e defendeu mudanças para aproximar eleitores e parlamentares.
Em palestra no Fórum VEJA Insights, em Nova York, o ministro afirmou que o modelo proporcional com lista aberta, usado para eleger deputados federais, estaduais e vereadores, gera um déficit de representatividade política.
“Esse sistema é muito ruim por muitos motivos”, disse Barroso. Segundo ele, a lógica atual confunde o eleitor e dificulta a prestação de contas.
“O eleitor não sabe quem colocou lá e o eleito não sabe exatamente por quem foi colocado. Um não tem de quem cobrar, o outro não tem a quem prestar contas”, completou.
O ministro apontou que esse distanciamento entre representantes e representados compromete a legitimidade do sistema político e enfraquece a governabilidade.
Como alternativa, Barroso voltou a defender o voto distrital misto, modelo que combina votos em candidatos e em partidos por meio de distritos eleitorais.
“É a posição oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, em todos os lugares onde converso sobre isso, vejo que é a melhor solução. Só que não anda”, lamentou, se referindo à falta de avanço do tema no Congresso.
Barroso também destacou que o debate sobre a forma como elegemos nossos parlamentares precisa voltar à pauta política. “Esse é um tema que saiu da agenda, mas a gente não pode esquecer que ele é importante”, concluiu.
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