terça-feira, 22 de setembro de 2026

Mercúrio coloca gestantes e bebês Munduruku em risco

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A contaminação por mercúrio coloca em risco gestantes e bebês do povo Munduruku, segundo reportagem da Agência Brasil publicada nesta quinta-feira, 4 de junho. A matéria informa que indígenas apresentam concentrações do metal muito acima dos níveis considerados seguros, em um quadro associado à contaminação ambiental em áreas pressionadas pelo garimpo ilegal.

O alerta foi discutido no painel “Tapajós Vivo: Desafios, Soluções, Saberes Tradicionais e Ciência Comunitária a Serviço do Bem-Viver”, durante a Rio Nature & Climate Week. Participaram do debate pesquisadores da Fiocruz, representantes indígenas e integrantes de organizações socioambientais.

O mercúrio é usado em atividades de garimpo para separar ouro, mas contamina rios, peixes e sedimentos. Na Amazônia, o problema se torna ainda mais grave porque o pescado é base alimentar de comunidades indígenas e ribeirinhas. Quando o metal entra na cadeia alimentar, pode provocar danos neurológicos, especialmente em fetos, bebês e crianças.

A situação dos Munduruku evidencia que o garimpo ilegal não destrói apenas a floresta. Ele invade corpos, compromete gestações, ameaça o desenvolvimento infantil e transforma o alimento tradicional em vetor de risco.

O enfrentamento precisa ir além de operações pontuais. É necessário retirar garimpos ilegais de territórios indígenas, rastrear a cadeia do ouro, responsabilizar compradores, garantir atendimento especializado e manter monitoramento contínuo de saúde nas comunidades afetadas.

A crítica é que o Estado brasileiro costuma medir o dano ambiental por hectares destruídos, mas a contaminação por mercúrio mostra outra dimensão: a floresta pode continuar em pé enquanto a população já está envenenada. Sem combater a economia ilegal do ouro, a saúde indígena seguirá pagando a conta.

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