sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Mapa expõe desigualdade no acesso ao cinema no Brasil; no Amazonas, só Manaus tem salas

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No Amazonas, apenas Manaus possui rede ativa de exibição.

Uma análise produzida pelo perfil Espacialidade, com base em dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), revela que todas as 3.587 salas de cinema registradas no Brasil em 2022 estavam concentradas em apenas 485 municípios.

O número representa menos de 9% das cidades brasileiras, apontando para uma concentração significativa da infraestrutura cinematográfica em determinadas regiões do país.

Segundo o levantamento, o maior adensamento de salas ocorre no eixo Centro-Sul, especialmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Já amplas regiões da Amazônia Legal e do semiárido nordestino apresentam baixa presença ou ausência total de salas de exibição.

A análise considera que a distribuição espacial revela desigualdades de acesso à cultura e reforça padrões já consolidados de infraestrutura urbana.

Municípios com maior densidade populacional e dinamismo econômico tendem a atrair investimentos nesse setor, enquanto áreas com menor presença de mercado seguem à margem do circuito de exibição.

No Amazonas, concentração está na capital

No estado do Amazonas, o mapa mostra que a totalidade das salas de cinema está concentrada em Manaus, enquanto os demais 61 municípios permanecem sem cobertura.

Cidades de porte médio, como Parintins, Coari, Itacoatiara e Tabatinga, não aparecem registradas com salas em funcionamento segundo os dados utilizados na análise.

A distribuição desigual acompanha limitações de mercado, logística e infraestrutura, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

A falta de salas em boa parte do território nacional também reflete desafios históricos enfrentados por políticas públicas de cultura e equipamentos coletivos.

Acesso à cultura e território

De acordo com o levantamento divulgado pelo Espacialidade, a concentração das salas de cinema é um dos indicativos das disparidades territoriais no acesso aos bens culturais.

A análise destaca que o artigo 215 da Constituição Federal assegura o direito de todos ao pleno exercício dos direitos culturais, mas os dados revelam a persistência de barreiras estruturais para o cumprimento desse princípio em diversas regiões do país.

O mapa “Território em Cartaz: A Distribuição Desigual do Cinema no Brasil” pode ser consultado na íntegra no perfil do projeto no Instagram (@espacialidade), que desenvolve conteúdos cartográficos e análises sobre espaço e desigualdades no território brasileiro.

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