quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Manejo do pirarucu terá R$ 7 milhões para comunidades no Amazonas

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima lançou, em parceria com a Conab, uma chamada pública para pagamento por serviços ambientais voltada ao manejo sustentável do pirarucu no Amazonas. O edital busca reconhecer e remunerar comunidades tradicionais que atuam na conservação da espécie em áreas protegidas.

A iniciativa faz parte do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais da Sociobiodiversidade. Poderão participar associações, cooperativas e colônias de pescadores formalmente constituídas, com atuação comprovada no manejo sustentável do pirarucu e vínculo com unidades autorizadas para os anos de 2025 e 2026.

Atualmente, o manejo do pirarucu envolve cerca de 5,5 mil trabalhadores organizados em mais de 40 entidades comunitárias. A atividade ocorre em 41 áreas protegidas, entre Unidades de Conservação e Terras Indígenas, que somam mais de 20 milhões de hectares. Nessas regiões, aproximadamente 2.600 ambientes aquáticos são monitorados, com população estimada de 1,2 milhão de pirarucus.

O programa contará com cerca de R$ 7 milhões em 2026, com recursos ligados ao REDD+ e ao Green Climate Fund, no âmbito do Projeto Floresta+ Amazônia, desenvolvido com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

A relevância da pauta está em mostrar que conservação ambiental pode gerar renda. O pirarucu manejado é uma das experiências mais concretas de bioeconomia amazônica, porque associa monitoramento, organização comunitária, proteção de lagos e valorização do conhecimento tradicional.

A crítica é que esse modelo ainda precisa ganhar escala sem perder controle social. O risco é transformar comunidades em fornecedoras baratas de uma cadeia que concentra valor fora da Amazônia. Para funcionar como política pública justa, o pagamento precisa chegar a quem protege os lagos, enfrenta invasões e mantém a floresta em pé.

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