A falta de cimento em Manaus deve durar pelo menos mais cinco dias. Isso porque os contâiners com cimento ou insumos para a fabricação do produto só devem chegar à capital amazonense, pela via fluvial, partir do dia 5 de dezembro. Até que o produto chegue nas lojas de materiais de construção, a escassez pode chegar a uma semana.
A seca extrema dos rios afetou a logística de distribuição da matéria-prima, impedindo que navios trouxessem um volume maior de cargas.
Desde a semana passada, o produto começou a ficar escasso no varejo. O preço médio saca de 42,5 kg disparou, passando de R$ 60 em meados de outubro para até R$ 75 agora, onde ainda há estoque. Lojistas ouvidos pelo RealTime1 disseram que, mesmo com a chegada dos insumos, os preços só devem reduzir a partir de 2024.
E não é só o mercado varejista de materiais de construção para obras de pequeno e médio porte que está sendo afetado. De acordo com Zacarias Bichara, diretor-executivo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), a falta de cimento está afetando todo o setor, inclusive as grandes construtoras.

As principais empresas que abastecem Manaus com cimento confirmaram ao RealTime1 que a falta do produto se dá em razão da seca, que dificultou a navegação das cargas para a cidade. Embora a vazante tenha dado lugar à elevação dos níveis das águas, a velocidade de subida ainda não foi suficiente para garantir a navegabilidade de grandes embarcações até poucos dias atrás.
“A promessa é de que os contêiners estarão chegando a partir do dia 5”, disse Bichara.
A Votorantim Cimentos, dona da marca Poty, informou que o navio que transporta o cimento da empresa até a capital “só consegue navegar com parte da carga, e não com 100% da capacidade”. “A Votorantim Cimentos está empreendendo vários esforços logísticos para manter o abastecimento local, inclusive trazendo produtos de outras regiões, como Belém (PA)”, acrescentou.
A Mizu Cimentos informou que sua cadeia de produção foi severamente prejudicada pela impossibilidade da navegação dos navios nos rios Negro e Solimões. “Tal restrição limitou a produção industrial do cimento Mizu reduzindo a capacidade de atendimento em mais de 50% durante os meses de outubro e novembro”, disse a empresa.
A Mizu, que opera há nove anos no Distrito Industrial de Manaus, destacou que segue “envidando todos os esforços para restabelecer a produção industrial em seus níveis normais e garantir o pleno atendimento a toda região Norte”.
“Ressaltamos que nesse momento temos diversos comboios fluviais em navegação com destino a Manaus, tendo partido do porto de Belém, com chegada nos próximos dias o que permitirá a retomada da produção em seus níveis normais”, acrescentou.