Durante discurso de abertura IV Conferência Estadual da Mulher Advogada, ontem (22/07), em Salvador, na Bahia, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, voltou a criticar o machismo na política brasileira e na sociedade em geral. Ela enfatizou que a Constituição Federal é bem clara quando afirma que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.
A ministra defendeu que a luta contra o machismo deve partir, inclusive, dos homens e relembrou casos recentes de violência de gênero na Justiça.
“Se eu ficar apenas na semana passada, para fazer um recorte, um juiz negou o direito de uma mulher. Um dito julgador, porque togado, afirmou que são as mulheres que estão assediando os homens. Segundo ele porque está ‘sobrando mulher’. Mulher não é sobra, mulher não é resto”, falou.
Na semana passada, o desembargador Luís César de Paula Espíndola, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), foi afastado do cargo por declarações misóginas durante o julgamento de um caso de assédio sexual. O magistrado afirmou que as mulheres estão “loucas para levar um elogio, uma piscadela, uma cantada educada”, enquanto julgava o pedido de uma medida protetiva para uma menina de 12 anos que se sentiu assediada por um professor.
“A Constituição não é bandeira para encobrir covardias, mas a matança e estupro de mulheres são permanentes atos de infâmia e covardia que continuamos mantendo. Nós precisamos de um processo de libertação, de mulheres e de homens, desses modelos cruéis”, afirmou.
Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármem Lúcia lamentou e ressaltou que discursos de ódio têm afastado mulheres da política, a três meses das eleições municipais. Segundo ela, as ofensas que candidatas sofrem são diferentes das críticas direcionadas aos homens.
“Para as mulheres são discursos sexistas, machistas, misóginos, que desmoralizam a mulher, suas famílias”, disse.
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