O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu medidas para restringir o uso de inteligência artificial durante o período eleitoral. A declaração foi feita nesta quinta-feira, 14 de maio, durante evento do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçari, na Bahia.
Lula afirmou que a IA tem importância em áreas como saúde, educação, ciência e tecnologia, mas questionou seu uso em campanhas eleitorais. Para o presidente, imagens e vozes manipuladas podem favorecer mentiras e confundir o eleitor sobre o que é real.
A fala ocorre em meio à preocupação crescente com deepfakes, áudios falsos e vídeos produzidos por sistemas generativos. O presidente citou a posse do ministro Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral e elogiou a ideia de restringir o uso de IA nos dias próximos à votação.
A discussão coloca o Brasil diante de um dilema regulatório. A IA pode modernizar serviços públicos e ampliar produtividade, mas também pode ser usada para fabricar escândalos, simular declarações e espalhar propaganda enganosa em escala industrial.
Em campanhas políticas, a velocidade da mentira é um problema maior que a própria mentira. Um vídeo falso pode circular por milhões de celulares antes que a checagem alcance o mesmo público. Por isso, restrições eleitorais precisam combinar regras claras, identificação de conteúdo sintético, responsabilização de campanhas e ação rápida das plataformas.
O risco é que o debate vire apenas disputa entre censura e liberdade. O ponto correto é outro: proteger o eleitor contra fraude informacional sem impedir crítica política legítima. Em 2026, a urna será disputada também no campo da confiança visual e sonora.