quarta-feira, 23 de setembro de 2026
ECONOMIA

Lula defende Portugal como porta de entrada para empresas brasileiras na Europa

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Na reta final de sua agenda europeia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que Portugal funcione como porta de entrada para os interesses empresariais brasileiros na Europa. A declaração foi dada em Lisboa e publicada pela Agência Brasil em 21 de abril, em meio ao esforço diplomático do governo para transformar a aproximação política com o continente em agenda econômica concreta.

O argumento central de Lula se apoia na entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia em 1º de maio, conforme informado na reportagem. Ao citar Portugal como base estratégica para empresas brasileiras, o presidente mira um ambiente de menor barreira cultural e linguística para acelerar investimentos, industrialização e comércio. O caso da Embraer, com parque industrial em Évora desde 2012, foi usado como vitrine de uma experiência considerada bem-sucedida.

Os números apresentados ajudam a explicar o interesse: a corrente de comércio entre Brasil e Portugal somou US$ 4,5 bilhões em 2025, com superávit de US$ 2 bilhões para o lado brasileiro. Além disso, o encontro também passou pela pauta migratória, já que mais de 500 mil brasileiros vivem em Portugal, enquanto o Censo 2022 registrou cerca de 104 mil portugueses no Brasil. A dimensão humana da relação reforça o peso político da visita, mas também impõe pressão para que a retórica de integração produza resultados práticos.

A ofensiva diplomática de Lula tenta reposicionar o Brasil em um cenário internacional mais fragmentado, com disputas comerciais, guerras e rearranjos de cadeias produtivas. A mensagem é clara: o governo quer vender o país como parceiro confiável, industrial e politicamente previsível. O problema é que essa ambição esbarra em gargalos domésticos antigos, da infraestrutura à insegurança regulatória. Portugal pode ser uma ponte, mas a travessia ainda depende do que o Brasil entrega dentro de casa.

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