terça-feira, 22 de setembro de 2026

Itamaraty alerta para risco de ação militar dos EUA no Brasil

COMPARTILHE
Itamaraty
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Itamaraty alertou, em respostas enviadas ao Congresso Nacional, para o risco de os Estados Unidos usarem força militar em território brasileiro após a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. O alerta consta de documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Segundo a manifestação do chanceler, a classificação unilateral das facções pode gerar impactos relevantes para a soberania nacional e para a economia brasileira. O documento afirma que autoridades dos EUA poderiam adotar medidas administrativas e judiciais extraterritoriais contra pessoas, empresas e organizações brasileiras.

Em maio, os Estados Unidos classificaram PCC e CV como organizações terroristas. Na semana passada, o Departamento do Tesouro norte-americano sancionou duas pessoas e três empresas brasileiras sob acusação de vínculos com o PCC.

O Itamaraty também informou que não houve comunicação formal dos Estados Unidos ao Brasil sobre a intenção de enquadrar facções criminosas brasileiras como terroristas. Para Mauro Vieira, a medida não apresenta benefícios claros à segurança dos países e pode militarizar a agenda regional de combate ao crime organizado.

A discussão é sensível porque envolve dois temas de alto impacto: segurança pública e soberania. O Brasil tem obrigação de enfrentar facções criminosas, lavagem de dinheiro, tráfico e violência armada. Mas aceitar enquadramentos externos sem coordenação pode abrir espaço para interferências indevidas e medidas que atinjam empresas, cidadãos e instituições brasileiras.

O alerta também tem repercussão econômica. Bancos, empresas e setores com exposição internacional podem enfrentar aumento de custos de compliance, bloqueios preventivos e maior risco de sanções indiretas.

O combate ao crime organizado exige cooperação internacional, troca de inteligência e responsabilização financeira. Mas cooperação não pode significar renúncia à soberania. O governo brasileiro terá que equilibrar firmeza contra facções com defesa institucional dos limites da atuação estrangeira no país.

COMPARTILHE