O investimento em Desenvolvimento, Pesquisa e Inovação (PD&I) deverá registrar, neste ano, um volume ligeiramente inferior ao do ano passado, quando financiou projetos em R$ 1,73 bilhão. O bom resultado de 2022 foi propiciado pelo faturamento recorde de R$ 174 bilhões das empresas do Polo Industrial de Manaus.
O investimento é proveniente de uma reserva de 5% do faturamento das empresas beneficiadas pela Lei de Informática e o valor deve ser alocado nas áreas de pesquisa e desenvolvimento. Para este ano, com a queda no faturamento causada pelas dificuldades logísticas criadas pela vazante dos rios, o valor investido deverá ser um pouco menos, algo como R$ 1,7 bilhão, estimam os especialistas nessa área.
Se confirmado a queda, será a primeira em três anos, pois em 2021 o valor acumulado para aplicação em pesquisa e desenvolvimento foi de R$ 1,56 bilhão.
Para se ter ideia de como este investimento feito pelas empresas estava bem na foto, no ano passado o segmento de Bens de Informática teve o maior faturamento em dólar do PIM, com US$ 10 bilhões.
Isso representou 29,57% de participação no faturamento total entre todos os setores, ficando a frente do polo de Eletroeletrônicas e o de Duas Rodas, carros-chefes do faturamento em outros anos.
De acordo com a Suframa, a aplicação deste recurso está concentrada em Manaus por duas razões: as indústrias estão localizadas no Distrito Industrial; e o fato de Manaus ser escolhida como a sede das Instituições Científica, Tecnológica e de Inovação (ICTs) que recebem os recursos para a execução dos projetos de PD&I.
A autarquia, contudo, tem feito um esforço para redistribuir estes recursos para os demais Estados atendidos pelo modelo Zona Franca. Assim, entre 2020 e 2022, por exemplo, os técnicos da Suframa afirmam que mais de R$ 20 milhões de reais foram investidos em ICTs localizadas fora de Manaus, assim distribuídos:
- Acre…………….. R$ 14,5 milhões
- Amapá………… R$ 300 mil
- Rondônia….. R$ 3,1 milhões
- Interior do Amazonas ……. R$ 2,1 milhões.
Por fim, a Suframa informa que tem conhecimento de investimentos realizados em 2023, mas o total investido só será apurado em 2024, quando as empresas e instituições prestarão as contas para a Suframa.
O superintendente-adjunto de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica da Suframa, Waldenir Vieira, destacou que o investimento em PD&I cresceu de R$ 460 milhões, em 2013, para R$ 1,73 bilhões em 2022, com direcionamento majoritário dos investimentos em Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) para instituições privadas, com uma pequena parcela voltada para incubadoras.
Ele lembrou que, a partir de 2018, houve um aumento nos investimentos em ICTs públicas por conta de mudanças na Lei de Informática.
“Na última reunião ordinária do Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia (Capda), em outubro, foram credenciadas as primeiras duas aceleradoras, sinalizando um incremento no suporte a iniciativas de inovação tecnológica”, acrescentou Vieira.
P&D financia o bionegócio sustentável
Líder do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) – tocado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam)-, Paulo Simonetti, contou ao RealTime1 que o financiamento do fundo de P&D propiciou a adoção de soluções inovadoras que melhorou as cadeias produtivas de negócios sustentáveis.
Segundo o líder, mais de 30 ‘Startups’ são atendidas pelo PPBio, que é uma iniciativa da Suframa, e geraram de março a outubro deste ano mais de R$ 600 mil em faturamento consolidado.
Entre as iniciativas citadas por Simonetti estão negócios com proteínas veganas à base de tucumã e açaí, até o couro amazônico feito do resíduo de pirarucu, passando por produtos como vinagre de cupuaçu; prensa artesanal para extração de óleo de pracaxi; cosméticos naturais; abacaxi tipo exportação, com maior tempo de vida e revestimento comestível para embalagens.
As bebidas também foram incentivadas, com destaque para uma empresa produtora de gim e as cervejas artesanais feitas de frutas e resíduos amazônicos.